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Mudança

CBF retoma administração da Série B e gera insegurança nos clubes

Presidente do Paraná, Aurival Correia, admite que vai precisar estreitar relações com a entidade para não ficar no prejuízo na distribuição de contas da televisão. FBA diz que não foi comunicada sobre a mudança

 | Antônio Costa / Gazeta do Povo
(Foto: Antônio Costa / Gazeta do Povo)

Na noite dessa segunda-feira (30), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que passará a administrar sozinha o Campeonato Brasileiro da Série B. A notícia pegou os representantes dos 20 clubes de surpresa. Com a decisão, tomada unilateralmente pela entidade, a Futebol Brasil Associados (FBA), que negociava contratos de televisão e patrocínios, estaria fora da organização da competição.

A mudança deixou um clima de insegurança quanto ao futuro financeiro dos clubes. Garantindo não saber da "invasão" da CBF, a FBA estava procurando melhorar a fatia de todos os representantes nos valores das cotas de televisão. Havia a promessa de que cada participante ficaria com pelo menos R$ 800 mil até final da Série B de 2009. "A princípio, perdemos com a mudança. A CBF nos prometeu o mesmo valor que conseguimos no ano passado (cerca de R$ 600 mil por clube, exceto o Corinthians que faturou R$ 3 milhões). Não sabemos como vai ser", disse o presidente do Paraná, Aurival Correia, por telefone, à Gazeta do Povo.

Por outro lado, o dirigente enumerou alguns aspectos positivos do comando solitário da CBF na gestão da Série B. "A entidade tem prestígio, pode conseguir agregar patrocínios. Além disso, há a promessa de que os clubes não terão gastos para manter um escritório, como acontece hoje com a FBA. Se são vantagens mesmo só saberemos com o tempo", avisou.

O presidente da FBA, José Neves, afirmou em entrevista à Rádio Globo, que há em vigência um contrato assinado em 2006 que só expira em 2010, no qual a Futebol Brasil Associados detém os direitos de administração de patrocínios e negociação das cotas diretamente com a televisão. Ele afirmou estranhar a posição do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e, caso o contrato seja rescindido, entrará na Justiça. Neves acrescentou que a FBA tem contratos assinados com outras empresas em virtude deste compromisso para a administração da competição.

Relação com a CBF preocupa o Tricolor

Aurival Correia acredita que os clubes terão de buscar alternativas para estreitar a relação com a CBF. O presidente do Paraná, único representante paranaense na Série B, lembra que o clube tem as portas abertas na FBA, conta com apoio da presidência e tem acesso facilitado ao departamento jurídico da entidade. Para ele, a relação com a CBF é bem mais complexa. "A gente não sabe nem com quem falar na CBF. Imagine se o Paraná procurar o Ricardo Teixeira, ele nem atende. Teremos que abrir uma estrada enorme para chegar até ele", reclamou.

Mudança não atinge o Vasco

A administração da Série B pela CBF não deve mexer no bolso do Vasco da Gama. Por pertencer ao Clube dos 13 – entidade que reúne os grandes do futebol brasileiro – o clube carioca deve embolsar os mesmos R$ 3 milhões do Corinthians, em 2008, em cotas de direitos de televisão. Parte do valor é bancado pelo contrato firmado entre a Rede Globo e o Clube dos 13.

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