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Série A

Ceará derruba o Galo na despedida do Mineirão e se mantém em segundo

Atleticanos continuam na zona de rebaixamento e saem vaiados pela torcida, e Vovô permanece invicto e com a melhor defesa do Brasileiro

Em Minas, no Mineirão, o Ceará fez a sua parte neste domingo para tentar terminar na liderança o Brasileirão antes da paralisação para a Copa do Mundo, na África do Sul. Com mais uma boa atuação, principalmente no segundo tempo, derrotou o Atlético Mineiro por 1 a 0. Quando deixou o campo, estava em primeiro na tabela, pois o Botafogo vencia o Corinthians por 2 a 1. Mas, com o empate do Timão no fim, coube ao Vovô a vice-liderança da competição. Invicto, com 17 pontos ganhos, está ao lado dos paulistas, mas perde no desempate pelo saldo de gols.

É bom lembrar que o gol da vitória, marcado por Washington, foi irregular. O atacante estava impedido. Mas nem isso tira os méritos da equipe comandada por Paulo César Gusmão, que acumula na campanha cinco vitórias e dois empates, com apenas um gol sofrido - tem a melhor defesa da competição. E pela primeira vez arrancou um triunfo sobre Atlético no Mineirão, que fechará para obras visando à Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

No fim da partida, o estádio teve as luzes apagadas e um show de fogos. Parecia uma despedida na medida para a festa do Galo que não aconteceu. O time saiu sob vaias e gritos de "olé" diante do domínio do Vovô e permanece na zona de rebaixamento, com apenas seis pontos ganhos.

Na volta do Campeonato Brasileiro depois da Copa do Mundo, no dia 14 de julho, pela oitava rodada, o Atlético Mineiro receberá o Atlético-GO. O Ceará enfrentará no mesmo dia, em casa, o Corinthians.

Vovô domina

O primeiro tempo alternou boas jogadas com certa sonolência das duas equipes. Se o Ceará mostrou mais organização tática, com um time compacto, tocando melhor a bola e criando mais chances, o Galo obrigou o goleiro Diego a fazer duas boas defesas. Mas a torcida que compareceu ao Mineirão não viu a rede balançar nos primeiros 45 minutos.

No duelo da então pior com a melhor defesa da competição - o Galo sofreu 15 gols e o Vovô, apenas um -, o técnico Vanderlei Luxemburgo fez algumas mexidas em relação à equipe que perdeu para o Grêmio por 2 a 1, no meio da semana. Aranha voltou para o gol, e Coelho, para a lateral direita. Sem Fabiano e João Pedro, suspensos, e Zé Luís, ainda contundido, Diego Macedo foi deslocado para o meio-campo. Em campo, o time começou confuso. No rodízio entre Coelho e Diego Macedo na lateral e no meio, ninguém marcou Misael, que, lançado por Careca, foi à linha de fundo e centrou na medida para Washington, de peixinho, quase inaugurar o marcador para o Ceará - a bola foi para fora.

Se o técnico PC Gusmão perdeu para a partida o volante Heleno, suspenso, teve de volta Michel ao meio-campo da equipe, bem consistente. E com os espaços dados pelo Galo, o Vovô ditou logo o ritmo no setor, dominando a partida. Aos 21 minutos, numa sobra no ataque, Oziel obrigou Aranha a boa defesa. No rebote, tentou encobrir o goleiro, masa zaga cortou para escanteio.

Galo tem duas chances

Ricardinho estava sonolento, e Rafael Jataí, errando muitos passes, Diego Tardelli e Muriqui, isolados, eram obrigados a recuar para procurar a bola. A torcida já perdia a paciência quando, aos 32, numa triangulação com Diego Macedo e Muriqui, Coelho, pela meia-direta, resolveu arriscar de canhota, de fora da área. Diego, em grande defesa, mandou para escanteio. O time até deu uma acordada, mas o Vovô, mais organizado, teve outra chance logo depois, com Oziel, que bateu para fora.

Com liberdade para jogar, o Ceará cozinhava o jogo, e no duelo dos camisas 10, Geraldo levava a melhor sobre Ricardinho. A única boa assistência do meia do Galo foi aos 42, quando centrou na cabeça de Werley. Mas Diego, seguro, fez outra boa defesa. A última boa jogada do primeiro tempo foi aos 44, quando o lateral Ernandes arrancou pela esquerda e tentou surpreender Aranha, quase abrindo o placar para o Vovô, melhor na partida.

Vovô garante triunfo

Para o segundo tempo, o técnico Vanderlei Luxemburgo resolveu mexer no esquema do Galo, ao trocar o zagueiro Lima pelo meia Wendel. Apesar da mudança do 3-5-2 para o 4-4-2, o time continuou levando sustos e foi totalmente dominado. Aos quatro minutos, em falta cobrada pela direita, Careca cabeceou firme para boa defesa de Aranha. Aos sete, o goleiro atleticano quase complicou, ao tentar sair jogando. Chutou nos pés de Geraldo, que tentou se aproveitar da saída desesperada do goleiro para cavar o pênalti. O árbitro Célio Amorim não caiu no conto.

Mas, aos 9, o juiz da partida cometeu um erro capital. Em jogada do Ceará pela esquerda, baixou o Robinho em Misael, que entortou Jairo Campos e centrou para Washington, impedido, escorar para as redes, fazendo 1 a 0 para o Ceará. Nem Célio Amorim nem os auxiliares anularam o lance.

O Galo se desesperou ainda mais, e a torcida chegou a comemorar quando Coelho, aos 15, cobrou falta que tocou na rede, mas pelo lado de fora. PC Gusmão, vendo o adversário se lançando ao ataque, trocou Geraldo por Erick Flores, para puxar o contra-ataque com mais velocidade. O ex-meia do Flamengo teve a chance de resolver a partida aos 27, após tabela com Misael, mas bateu fraco, para fora.

Vanderlei trocou Leandro por Ricardo Bueno, deslocando Diego Maurício para a lateral. PC Gusmão lançou Lopes "Tigrão " no lugar de Washington, e Vanderlei apostou as fichas em Neto Berola, sacando o apagadíssimo Ricardinho. O Galo não conseguia espaços para criar, diante da boa marcação do Vovô. Aos 41, Erick Flores ainda acertou o travessão, e só não marcou o segundo aos 45 porque foi agarrado por Diego Macedo, no contra-ataque.

O Galo se desesperava mais ainda no fim. Rafael Jataí, que já tinha o cartão amarelo, levou o vermelho. E a torcida, além das vaias ao time, ainda gritou "olé" diante do domínio do Ceará. Já com o Mineirão às escuras, o jeito era sair na esperança de, no mês de paralisação, ver Vanderlei acertar o time. Já o Vovô era só comemoração.

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