
Roma - César Cielo, 22 anos, comprovou seu papel de protagonista na natação mundial ao ganhar o ouro e bater o recorde mundial na prova dos 100 metros livre do Mundial de Esportes Aquáticos de Roma façanha que assombrou o já legendário Michael Phelps, presente na arquibancada do Foro Itálico.
Fechou o triunfo chorando como um bebê ao receber a medalha. Antes dele, apenas um brasileiro tinha sido campeão na história desta competição: Ricardo Prado, que venceu os 400 m medley na edição de 1982, em Guayaquil, no Equador, também com recorde.
Na final de ontem, Cielo venceu com o tempo de 46s91, superando o antigo recorde mundial de 47s05, feito pelo australiano Eamon Sullivan no ano passado. Assim também passou a ser a referência nos 100 m livre, prova em que conquistou o bronze em Pequim.
"A diferença entre o atleta que ganhou o bronze em Pequim e o ouro aqui em Roma é que estou mais forte, mais bonito e muito mais concentrado, mais maduro. A parte do bonito é brincadeira, mas o resto é tudo verdade", disse César Cielo. "Também tenho me concentrado não só na competição, mas também no treinamento: eu lidava com as séries de uma maneira totalmente diferente", complementou, destacando que a boa largada garantiu o feito histórico.
"Eu consegui focar na minha raia, não vi nada do meu lado. É assim que eu sempre consigo minha melhor performance. Apesar de ter sido um tempo muito louco, eu sabia que iria fazê-lo. Não tem mágica, é trabalho duro", falou Cielo, responsável pelo 13.º recorde obtido por um nadador brasileiro em todos os tempos seis dos quais foram em piscina curta, de 25 m.
As braçadas vitoriosas do brasileiro foram observadas de perto pelo norte-americano Michael Phelps, que chegou a cogitar tentar uma vaga na prova que não é sua especialidade , mas desistiu nas eliminatórias. A uma rede de televisão de seu país, o nadador com oito ouros em Pequim admitiu que, "vendo como Cielo nadou, não teria chances de medalha".
"O César do bronze era um garoto, e o que ganhou o ouro, um homem. Em Pequim ele não acreditava que poderia ser campeão olímpico nessa prova. Agora, tem 100% de certeza de que é o melhor do mundo", definiu o técnico do brasileiro, o australiano Brett Hawke.




