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Pequim 2008

Chineses são acusados de usar trabalho infantil para Olimpíadas

Empresas fabricantes de artigos olímpicos teriam dado emprego para crianças de 12 anos

Uma aliança internacional de sindicatos acusou empresas chinesas de fabricar mercadorias destinadas aos Jogos Olímpicos utilizando trabalho infantil ou deixando seus funcionários em condições de semi-escravidão. Segundo essa aliança sindical, chamada "Playfair 08", a China está violando os direitos humanos em quatro locais onde se fabricam produtos como bolsas e materiais de papelaria.

A "Playfair 08" afirma ter provas de que os proprietários dessas fábricas dão emprego a crianças de doze anos e obrigaram os funcionários a mentir sobre seus salários e condições de trabalho. De acordo com os sindicatos, muitos trabalhadores adultos ganham apenas € 0,21 por hora, a metade do salário mínimo chinês, e trabalham por até 15 horas seguidas sem um só dia de descanso por semana.

Para o secretário-geral da Confederação Internacional de Sindicatos, Guy Ryder, tais violações das normas trabalhistas internacionais em fábricas que receberam a licença do Comitê Olímpico Internacional (COI) são um afronta para o movimento olímpico.

O COI disse não ter controle direto sobre as empresas que fabricam mercadoria destinada aos Jogos, mas reiterou seu compromisso com as normas trabalhistas internacionais. Segundo Brendan Barber, secretário-geral do Trades Union Congress (TUC) britânico, com tais práticas os chineses estão "desmerecendo o ideal olímpico".

- Não queremos que se repitam quando os Jogos vierem a Londres (em 2012). O COI deve incluir na carta olímpica o respeito aos direitos dos trabalhadores - acrescenta Barber.

Segundo a "BBC", uma das empresas acusadas, a Lekit Stationery, é taiuanesa, embora opere há 20 anos na cidade de Dongguan, e se dedique a fabricar adesivos, cadernos e copos de papel com motivos olímpicos. Seus responsáveis negaram à "BBC" as acusações sindicais de que a fábrica emprega menores e obriga o trabalho por até 13 horas seguidas por dia. Outras empresas suspeitas também rejeitaram as acusações.

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