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Lembra daquele jogo?

A mais nobre das tardes

Ditão passa por flamenguistas no Couto Pereira... | Arquivo/ GRPCOM
Ditão passa por flamenguistas no Couto Pereira... (Foto: Arquivo/ GRPCOM)
... Boca passou por cima do todo-poderoso |

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... Boca passou por cima do todo-poderoso

Um dos fundadores do Paraná, ao lado do Pinheiros, cabe ao Colorado o status de "clube azarado" na história do futebol paranaense. Foi o velho Boca-Negra que amargou os quatro gols relâmpagos do atleticano Ziquita, em 1978, e duas temporadas mais tarde, teve de dividir o caneco do Estadual por causa do recorde mundial de "contusões" em sequência do Cascavel – entre outras barbaridades que é melhor nem mencionar pra não estragar o domingo.

Os 18 anos de vida do CEC, entretanto, também reservaram alguns (poucos) momentos glória e total perda dos sentidos. E você sabe bem que os triunfos das agremiações, digamos, "alternativas", são gozados pela eternidade.

Era um domingo, 15 de março de 1981, e o apelidado Tricolor de Aço enfrentaria o Flamengo, no Couto Pereira, compromisso pela Taça Ouro, uma das inúmeras versões do Nacional. O Rubro-Negro carioca era o grande esquadrão do alvorecer dos anos 80 e desembarcou no Afonso Pena com quase todas as suas estrelas.

Raul, Andrade, Adílio, Nunes, a base do escrete que comoveu a molecada na época tanto quanto o filme do E.T.. Zico não veio. E aí alguém pode pensar: "Então não foi tudo isso". É um equívoco. O Galinho era a alma daquele conjunto, logo, onde quer que o Mengo fosse, era como se o 10 estivesse presente.

A linha ofensiva dos donos da casa, por sua vez, era um espetáculo com a bola nos pés e de uma rusticidade fonética inigualável: Buião, Aladim e Ditão. Na meia-cancha, aparecia Jorge Nobre. Ao término do embate, enfim todos entenderiam o porquê da distinção no nome do jogador.

Bola quicando e o Colorado partiu pra cima do oponente como se treinasse contra os juvenis na Vila Capanema. E logo aos 19 minutos, delírio na bancada. Buião puxou o contra-ataque e foi derrubado, mas Jorge Nobre aplicou com eficiência a lei da vantagem e tocou na saída de Raul: 1 a 0.

Nove minutos se passaram e os curitibanos ampliaram. Ditão ganhou de Luis Pereira (sim, aquele) na cabeça, a bola rebateu na trave e quem estava lá para conferir? Jorge Nobre, claro.

Fim de primeiro tempo e os times foram para o vestiário tomar o Gatorade de antigamente. Na volta, já aos 16, Buião se evadiu pela direita e cruzou. Aí eu te pergunto: quem? Sim, Jorge Nobre meteu a cabeça preta na bola branca e impôs 3 a 0 ao time que dois anos depois seria o maior do mundo.

Já era o suficiente para o jogo ser considerado o Verão do Amor Boca-Negra, o Woodstock e o Rock in Rio 1 Tricolor, mas tinha mais. Já aos 40 minutos, Afrânio arremessou de primeira passe de Marinho. Raul rebateu e Ditão confirmou aquele que é um dos melhores tipos de gol: o que você sabe que vai acontecer, mas precisa esperar por alguns segundos. Fim de jogo, Colorado 4, Flamengo 0.

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