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Vou repetir mais uma vez. Futebol profissional não é esporte, é espetáculo, pode ser classificado na cada vez mais ampla categoria do "showbiz". E não só o futebol, o velho e rude esporte bretão, mas todo jogo disputado por profissionais. Esporte não rima com profissão. (Não uso a expressão esporte amador porque é redundante, pois ou é amador ou não é esporte, certo?)

E aqui entre nós, como espetáculo o futebol, profissional ou não, é quase sempre chato, tedioso, narcotizante. (Como são cotidianas, pedestres, as coisas vistas sem ênfase. Ou sem emoção. Ou à distância. Ou sem envolvimento.)

Excepcionalmente, o espetáculo de futebol resiste a dois assaltos se não nos envolvermos emocionalmente, se não torcermos, se não tomarmos partido. Por outras palavras: para o torcedor o futebol é ou pode ser um barato; para o espectador, sonolento espetáculo. É o que tentarei demonstrar a seguir, ponto e parágrafo. Antes, porém, uma pergunta: por que até hoje, século e tanto depois da sua invenção, o futebol ainda não conseguiu criar um público-platéia, não um público-torcida?

Analisada sem ira e preconceito, a observação da proverbial loura burra sobre o joguinho é indiscutível: "22 marmanjos a correr atrás de uma bolinha indefesa e sem nenhuma graça".

Começa que o futebol é jogado com os pés. E os pés, convenhamos, estão longe de ser a parte nobre do bicho homem. Ou a mais inteligente. Também não é a mais bonita ou a mais admirável exceto para o fetichista, para o pedicuro e para o pedófilo... como afirmou outro dia um desses tipos fronteiriços que participa desses programas fronteiriços que chegam às alturas de audiência.

Os pés podem ser práticos, funcionais, serem usados como arma de defesa-ataque, mas bonitos não são. Andam por aí, nos levam e nos trazem, facilitam a nossa vida, veja que maravilha, mas são bem feinhos. E não pensam.

Além disso, futebol é jogo de contacto, de atrito, de choque, de encontrões, de colisões, de pechadas como se dizia antigamente.

Ora, contacto entre barbados tem um nome lá em Irati, nome que não declinarei em homenagem à cultura da casa e do bom gosto do leitor. Espero que você não tenha esquecido que é uma invenção inglesa, made in England. God save the Drag-Queen!

Finalmente, futebol é jogo de erros, de muitos erros, de abusivos erros, de conhecidos erros. No futebol todos erram. Titulares, reservas, mortos, vivos, por nascer. Erram árabes e israelenses, gregos e troianos, craques e pernas de pau. Futebol é humano, demasiado humano.

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