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O maior desafio para o Coritiba não será enfrentar o time do Vasco, mas superar as dificuldades de São Januário.

É um estádio antigo, deficiente, localizado em região barra-pesada na Zona Norte do Rio de Janeiro e que tem servido de palco para os vascaínos exercerem pressão sobre árbitros, adversários, torcida visitante e crônica esportiva de fora.

Conheço aquilo há muito tempo e até hoje custo a acreditar que a Justiça Desportiva ainda não tenha aplicado pena exemplar ao Vasco pelas barbaridades cometidas no estádio de São Januário, especialmente durante as administrações de Agatirno Gomes e Eurico Miranda. Parece que na gestão de Roberto Dinamite o ambiente anda mais civilizado.

Mas também vi uma equipe paranaense comer o pão que o diabo amassou e conseguir sair vitoriosa do alçapão cruzmaltino: foi o Londrina, nas semifinais do Campeonato Brasileiro de 1977, triunfante com dois gols de Brandão. Como vi o Atlético perder o título de bicampeão brasileiro, em 2004, sofrendo todo tipo de pressão e humilhação no velho estádio vascaíno.

Em certa medida, o futebol torna verificáveis os valores e os méritos que a vida embaralha, confunde, oculta, perverte.

Mas o futebol só faz isso até certo ponto: ele é o jogo de bola mais sujeito à interpretação, ao questionamento do feito e do mérito, à discussão da justiça e da injustiça de um resultado, à disparidade das preferências por diferentes estilos, à distorção imaginária.

Toda essa nebulosa de demandas pelo reconhecimento converge na figura do jogador. Vitorioso, tem a cabeça coroada; derrotado, a cabeça é posta a prêmio para ser cobrada e negada com a mesma virulência da sua consagração. Os mesmos holofotes que se projetam na glória, são imediatamente desligados no fracasso.

Depois da avassaladora escalada de sucessos, que se iniciou durante a campanha de retorno à Primeira Divisão nacional com a conquista do título, passando pelo bicampeonato estadual, o impressionante recorde de partidas vitoriosas e a excelente campanha na Copa do Brasil, a equipe do Coritiba encara a realidade do momento decisivo: vence e acaba com qualquer dúvida que ainda possa existir sobre a sua capacidade técnica ou perde e passa a ser tratada pela grande mídia com mero cometa que passou.

Para nós que acompanhamos a trajetória coxa-branca, um fracasso não representará a condenação para o elenco e a comissão técnica, da mesma forma que o êxito significará somente a justa premiação a um trabalho bem planejado, exemplarmente executado e que merece os aplausos de todos aqueles que sabem reconhecer a arte de jogar futebol com organização tática, talento individual e força coletiva.

A meu ver, chegando as finais da Copa do Brasil com muito mérito, o Coxa já pode se considerar vitorioso.

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