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Carneiro Neto

Gritos e sussurros

Nem bem começou o returno do Cam­­peo­­na­­to Brasileiro e já começaram a ser ouvidos gritos e sussurros em diversos times.

É verdade que houve más arbitragens nas partidas de anteontem, com destaque aos equívocos cometidos no Alto da Glória e no Beira-Rio. Coritiba e Corinthians, como vencedores, não reclamaram, porém os perdedores Palmeiras e Inter­­nacional botaram a boca no trombone.

O São Paulo, sensibilizado, agradeceu: venceu de novo e firmou-se na luta direta pelo tí­­tulo que, no seu caso, será o quarto consecutivo e o sétimo alternado.

O pênalti que decidiu o jogo a favor do Coxa foi polêmico – Marcão e Thiago Gentil agarraram-se na grande área –, entretanto é preciso lembrar que o árbitro deixou de apitar outro sobre o atacante Marcos Aurélio. Mas, em linhas gerais, o verde paranaense foi mais eficiente do que o verde paulista.

A torcida, que apoiou bastante o time no Alto da Glória, conta com nova atuação de garra, amanhã, em Santo André.

Recaída

A derrota faz parte do jogo e o Atlético até adquiriu um pouco de gordura para não se abalar com a quebra da série de triunfos que tanto animaram a torcida. Entretanto, o técnico Antônio Lopes precisa operar com cuidados especiais na montagem da equipe, que enfrentará o ascendente São Paulo, para não correr o risco de nova recaída.

Acontece que dois setores do time não funcionaram e, consequentemente, o terceiro – o ataque – morreu de inanição pela falta de municiamento. A defesa esteve confusa em Salvador, agravando-se o problema com a expulsão de Nei, que vinha se constituindo em elemento importante atuando como líbero. E o meio de campo padeceu porque, sem motivo aparente, Marcinho renunciou ao jogo e voltou a esconder-se da bola. Com Paulo Baier bem marcado, sobrou apenas o vigor de Wesley. Insuficiente para contrabalançar o bom rendimento dos veteranos Ramón e Jackson do lado baiano.

Em segredo

O técnico Sérgio Soares trouxe algumas inovações ao dia a dia da Vila Capanema e, entre elas, alguns treinos secretos. Re­­pórteres acostumados à liberdade ampla e irrestrita no trânsito pelo vetusto Estádio Durival Britto e Silva já começaram a chiadeira.

Não chega a ser uma coisa grosseira como aquela medida adotada pela ex-diretoria do Atlético ao proibir o acesso da imprensa no CT do Caju, mas tem contrariado alguns setores, especialmente do rádio esportivo.

Mas Sérgio Soares deve ter os seus motivos para manter o segredo nos treinamentos táticos e é importante reconhecer que a equipe melhorou muito desde que ele assumiu o comando.

Pouco a pouco o Paraná vai adquirindo uma pigmentação técnica que não se via há tempos, tanto em competições estaduais quanto nacionais.

Para ele, pode ser que o segredo seja a alma do negócio.

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