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Por décadas o torcedor brasileiro ouviu que a sua seleção de futebol era a melhor do mundo.

Mesmo quando não conquistava o título mundial, mas deixava boa impressão técnica na Copa, a seleção era reverenciada pela profusão de jogadores espetaculares.

Lamentavelmente, os tempos mudaram.

Há quase dez anos o time nacional deixou de merecer o reconhecimento internacional e, até pelo contrário, tem sido rebaixado e criticado.

Rebaixado a ponto de jogar no singelo estádio do Fulham, em vez do Emirates Stadium ou o mítico Wembley, como acontecia até pouco tempo em Lon­­dres; criticado por ter vencido só por 1 a 0 a modesta Gana, com um jo­­gador a menos, e exibição longe de lembrar os me­­lhores mo­­mentos do escrete canarinho.

A coisa anda tão estranha que o veterano Ronaldinho Gaú­­cho, que alterna boas e más apresentações no Flamengo, passou a ser a maior esperança do técnico Mano Menezes para a disputa da Copa Roca. As promessas como Ganso, Neymar, Lucas e outros continuam sendo apenas promessas. Bada­­la­­ção na mídia não falta, mas jo­­go que é bom, nada.

A Copa Roca é um dos mais tradicionais torneios do futebol mundial em confrontos pe­­riódicos entre brasileiros e ar­­­gentinos desde 1913 com a pri­­meira taça sendo oferecida pelo presidente argentino Julio Roca. Houve jogos memoráveis entre as duas principais escolas continentais.

Há um grande caminho a ser percorrido para tentar resgatar o brilho histórico perdido com a mercantilização do futebol brasileiro. Em primeiro lugar é preciso acabar com a criação de atletas altos e fortes, sem boa técnica e que apenas defendem e marcam, para serem ofertados no mercado internacional. Os próprios europeus voltaram a valorizar os jogadores com técnica refinada e, nessa parte, o Bar­­celona ofereceu inestimável contribuição com a revelação de virtuoses como Iniesta, Xavi, Messi e outros que arrebataram todos os títulos.

O Barcelona, com base formada em casa, é o atual melhor time do mundo e, consequentemente, a seleção espanhola é a campeã.

O futebol brasileiro tem dois problemas urgentes que necessitam ser resolvidos: a reformulação do conceito de preparação nas categorias de base, voltando a revelar bons meias ar­­ma­­dores e atacantes marcadores de gol, e a manutenção dos melhores jogadores no país.

O primeiro dilema tem a ver com a competência dos técnicos formadores, muito sensíveis aos apelos de empresários e dirigentes ávidos por bons negócios no exterior; o segundo tem a ver com a recuperação econômica do país, o que já aconteceu.

Se os grandes clubes se conscientizarem dessa nova realidade e partirem, efetivamente, para uma remodelação na base, em pouco tempo a seleção brasileira voltará a ser a alegria de todos os estádios. Temos a melhor matéria-prima do planeta.

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