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A Copa nem começou e já repercutiu na imprensa mundial a decisão do Comitê Olímpico Internacional de tomar medidas sérias para solucionar os problemas de atraso nas obras da Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. Sobre a Copa do Mundo, a bacia está transbordando de água insalubre faz tempo, e nem mesmo a chamada "imprensa chapa-branca" (será que ainda existe?) tem coragem de dourar a pílula. As críticas têm sido contundentes e justas, mesmo porque não envolve paixão, e sim o dinheiro público aplicado de forma duvidosa.

Há, porém, o outro lado da moeda. Dia desses, um jornal francês escancarou na manchete: "Vive Le Bordel Brésilien" (Viva a bagunça brasileira). O jornal cita que apenas quatro cidades deveriam sediar a Copa: Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Que Rio, São Paulo, Salvador, Recife e Natal valeriam pela viagem, mas que o turista encontraria muitos problemas. E fulmina Cuiabá, Manaus e Curitiba, recomendando que o melhor fosse assistir aos jogos dessas cidades pela tevê. Curitiba – segundo o jornal – "é a grande emoção pré-Mundial, com a dúvida até o último minuto, se o estádio estará pronto a tempo".

Ora, não devemos confundir alhos com bugalhos. Os brasileiros não têm de mudar nada para agradar país nenhum. Melhorar sim, mas não para agradar visitantes que chegam arrotando superioridade. Subserviente, nossos líderes baixavam a cabeça quando Reagan confundia Brasil com Bolívia. Os tempos são outros.

Lembro, para voltar ao esporte, de alguns fatos que testemunhei, e que por si só não dão o direito a terceiros de falar pelos cotovelos. Na Copa de 94, dos nove estádios, apenas dois eram cobertos. Willie Davids e Café, que abrigam a decisão paranaense, não perdem em nada para Palo Alto, onde o Brasil jogou a primeira fase. Pior foi a decisão contra a Itália, sob o sol de 40 graus na cabeça de atletas e torcedores, no antigo Rose Bawl, de Los Angeles. Também os percalços dos Jogos de Atlanta, com vultosos recursos investidos na sua (des)organização – trânsito caótico e a bomba que matou três pessoas e feriu 112. Em 2002, um malabarismo para conseguir voo e hotel para cobrirmos Brasil x China, na Ilha de Jeju, apesar de toda a prevenção logística. Na Copa da Alemanha – país de primeiro mundo – arrombaram três apartamentos de um hotel oficial da Fifa, em Frankfurt, e subtraíram câmeras fotográficas e dinheiro de dois fotógrafos do Rio de Janeiro, e um notebook meu. E o hotel não tomou nenhuma providência. Na África do Sul, preços aviltantes e um acanhado aeroporto em Porto Elizabeth, onde não havia táxi nem ônibus... entre algumas lembranças.

Enfim, não devemos perder o foco. Duros sim com as falcatruas internas, mas sem essa de que brasileiro é um narciso às avessas, e que cospe na própria imagem. Aí não!

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