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Confesso que estava difícil a escolha de um tema para a coluna de hoje. Não por falta de informações, evidente, mas sim por excesso delas. A Olimpíada em si forma um caleidoscópio de atrações visuais e preenche um baú de temas para discorrer. É bom ter opções múltiplas, mas às vezes se torna complicado a escolha. Mais ou menos como a sinuca que envolve o treinador de futebol quando tem dois ou três bons jogadores para uma mesma posição.

Sexta-feira estive em Tianjin acompanhando a vitória das meninas do futebol. A cidade é tão próxima de Pequim, que o trem levou pouco mais de meia hora para chegar. No trajeto, imaginava-me indo de Curitiba para Colombo, mesmo sabendo que Tianjin é a quarta maior cidade da China, e que em Pequim não se come um pastel tão bom como se comia antigamente na pastelaria Ton Jon, ao lado da antiga papelaria Requião, na Dr. Muricy.

Mas não deu tempo para nada, além de observar a imensidão de bicicletas no trajeto que o taxista fez da estação até o moderno estádio olímpico. Não pude nem cultuar o Templo de Confúcio, uma das atrações desta cidade, que, dizem os místicos, traz muita sorte para aqueles que a visitam. Então, que assim seja!

Pensei em louvar a contribuição das jogadoras paranaenses Renata Costa, Simone e Andréia com esta equipe tão sofrida e injustiçada. Essas moças que comeram o pão que o diabo amassou para vencer no campo e na vida.

Mas, ao ver as lágrimas de César Augusto Cielo depois de conquistar o ouro nos 50 m livre da natação, não me contive, e colapsou o tema que não poderia ser outro, senão o sentimento do primeiro ouro brasileiro na China.

Interessante é que, enquanto todos apostavam suas fichas em Thiago Pereira como nossa maior esperança nas piscinas, o ex-atleta Gustavo Borges dizia que Cielo era o melhor nadador brasileiro da atualidade. Enfim, seria nossa última esperança na água.

A prova foi duríssima, rendeu medalha de ouro e quebra de recorde. Mas as lágrimas do brasileiro valeram mais do que quaisquer palavra. E a lágrima que vem da emoção, seja ela de alegria ou de tristeza, balança a estrutura do ser humano, que tem pelo menos uma gota de sensibilidade.

O choro de Cielo transbordou o Cubo d’Água em aplausos e depois foi só alegria. Foi uma semana de espera pelo ouro em Pequim, e uma eternidade pelo ouro olímpico na natação. Prenuncio que seja a gota d’água que faltava para mais um ouro individual, e um mar de esperanças para algumas outras no coletivo.

Envergadura de cisne

E Michael Phelps? A antológica prova dos 100m borboleta teve um sopro divino. Foi uma cena angelical o momento em que ele abre as asas e ganha a prova. Phelps tem a envergadura de um cisne, e usou este recurso para a braçada consagradora.

Até o momento em que fecho esta coluna, ele já conquistou mais medalhas de ouro do que 202 dos países que aqui estão representados. Digamos, por exemplo, que o Vaticano disputasse a Olimpíada, e o "papa das piscinas" fosse seu representante. Aquele estado católico estaria hoje atrás apenas da China, EUA e Alemanha. Michael Phelps: bendito seja este nome!

Chorado

A vitória do futebol masculino contra Camarões teve a cara de Dunga: misto de enfezado e chorão. Mas prefiro assim a perder sorrindo e indiferente, como na última Copa contra a França.

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