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Ana Luzia Mikos

Beijinho no ombro

Tem um funk rolando por aí, de uma loira exageradamente curvilínea cujo nome não me interessa, que poderia ter tocado na hora em que os alto-falantes do Estádio do Café anunciaram o borderô de domingo. Um baita "Beijinho no ombro" para os grandes da capital que ficaram pelo caminho.

O clássico do Norte, aquele que não decidia o Campeonato Paranaense há mais de duas décadas, com equipes jamais apontadas como as maiores favoritas no início da disputa bateu o recorde de público do esvaziado Estadual. Londrina e Maringá levaram 26.827 pessoas à final de domingo. Um escândalo de gente para os padrões das Araucárias e número bastante respeitável em nível nacional.

O empate por 2 a 2 foi o terceiro jogo com maior público do fim de semana. Perdeu para o popularíssimo Ba-Vi (32.049 pagantes), com os sempre candidatos à taça do Baianão, e ficou pertinho do inédito Ituano 1 x 0 Santos (com 27.114 no Pacaembu). Mas nem os campeões da Libertadores e do Brasileiro juntos despertaram tanto apelo: Atlético-MG 0 x 0 Cruzeiro levaram 22.342 ao Independência. No Maracanã, Vasco 1 x 1 Flamengo registraram 20.844 pagantes, à frente de Joinville 2 x 1 Figueirense (17.087), enquanto o Sampaio Corrêa foi campeão maranhense em cima do Moto Clube diante de apenas 6.350 torcedores. Uma pena que no Willie Davids caibam só 19,9 mil pessoas para o próximo domingo.

A casa cheia faz inveja, mas também traz uma cobrança velada. Acostumados as serem segunda opção de fãs que gostam mesmo é do futebol paulista e carioca, Londrina e Maringá têm a oportunidade de usar esse momento para assumir a paternidade definitiva dos seus torcedores.

Mas o pai precisa criar. Os maringaenses, por exemplo, sofreram nos últimos anos com uma severa crise de identidade. Foram tantos CNPJs diferentes tocando o futebol na cidade que essa nova versão do clube demorou para ganhar créditos. Assim, a taça de domingo seria a recompensa de um trabalho certinho, humilde e, principalmente, interessado do Tubarão e da Zebra. Interesse que o Atlético não teve, o Paraná não conseguiu ter e o Coritiba viu comprometido com um início de ano turbulento internamente. Não por menos, os dois últimos reiniciaram a temporada ontem, com a chegada de Ricardo Drubscky à Vila Capanema e de Celso Roth ao Alto da Glória.

E se tem uma coisa que os finalistas partilharam é do bom ambiente. Na primeira matéria que fiz com o então recém-promovido Maringá, em agosto de 2013, dirigentes, jogadores e o técnico Claudemir Sturion creditaram o êxito ao clima no clube. Duvidavam até de que conseguissem repetir esse sucesso interno. Conseguiram.

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