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Kelvin está apenas começando a carreira, mas já age como um craque re­­nomado. Pena, para quem curte o futebol não apenas pelos resultados dentro de campo, mas por todo o ambiente lúdico, que o garoto esteja imitando Ronal­­dinho Gaúcho pelo que ele tem mostrado de menos invejável: a ganância. Antes de acertar com o Flamengo, o que foi oficializado ontem, o meia famoso promoveu um leilão de embrulhar o estômago para arrancar o máximo de dinheiro em sua volta ao Brasil. No meio desse processo, voltou a macular sua imagem no Grêmio, time pelo qual se diz apaixonado e do qual foi ídolo antes de deixá-lo em 2001 (quase de graça) para fazer o milionário pé de meia na Europa.

O que mais me incomoda no futebol moderno é isso. Paixão agora se mede em cifras – algo impensável nos anos 60, de Pelé e Garrincha, quando o esporte ga­­nhou o coração do torcedor brasileiro. Kelvin caminha para o mesmo triste destino. Fruto das categorias de base do Tricolor, jogou apenas 11 partidas como profissional e não pensou duas vezes antes de dar um bico em seu vínculo com o clube para ganhar mais grana fora da Vila Capa­­nema. A medida não é ilegal. Pelo contrário. A multa rescisória serve justamente para garantir que a parte insatisfeita rompa o compromisso. A atitude do adolescente de 17 anos, porém, tem sido reprovável e imatura.

Mesmo deslumbrado com a promessa do Atlético-MG de re­­ceber salários de gente grande do mundo da bola, Kelvin tinha a obrigação de se comportar como profissional. Isso incluiria se apresentar ao Tricolor com o restante do elenco e trabalhar normalmente até que o contrato tenha sido oficialmente encerrado. Optou pela fuga. Quem cobra profissionalismo tem de agir da mesma forma. Ou perde a razão.

Se financeiramente a troca é escandalosamente mais vantajosa para o atacante, para sua carreira pode ser um atraso de vida. Ficando no Paraná, onde virou o xodó da torcida em poucas "pedaladas", Kelvin teria tratamento de majestade, seria titular absoluto e ganharia experiência para chegar mais preparado a outro clube. Cer­­tamente não terá a mesma chance no caro elenco do Galo ou em qualquer outra casa que o acolher.

Talento o garoto tem. Bom driblador, rápido e abusado (no melhor sentido) diante dos adversários, Kelvin só não vingará como craque se pensar apenas com o bolso ou não agir como um atleta profissional. Ainda há tempo e tomara que o garoto e seu pai repensem suas escolhas e posturas, para que as semelhanças com Ronaldinho Gaúcho se restrinjam ao formidável estilo de jogo e não à decadência precoce de carreira e imagem.

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