Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Quartas

Com Messi, sem soberba

Técnico Alejandro Sabella cutuca “cultura” argentina para o duelo decisivo contra a Bélgica: “Sempre pensamos que somos mais do que somos”

Mascherano descansa após o treino no Estádio Nacional: pressão para jogar bem | Peter Powell/ EFE
Mascherano descansa após o treino no Estádio Nacional: pressão para jogar bem (Foto: Peter Powell/ EFE)

Argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês. No mundo inteiro a anedota é utilizada para tentar explicar a alma dos hermanos. Localizada em algum ponto entre a autoconfiança e a soberba, a característica será colocada à prova hoje, às 13 h,nas quartas de final, contra a Bélgica.

INFOGRÁFICO: Confira as escalações de Argentina e Bélgica

É o técnico da seleção, Alejandro Sabella, quem puxa a discussão. "Sempre nós argentinos pensamos que somos mais do que somos. Às vezes isso é bom, às vezes é ruim", disse ontem, antes do último treino para o confronto no Mané Garrincha.

A declaração soa como uma estratégia para proteger a equipe das cobranças de um país que há 24 anos não chega a uma semifinal de Copa. Assim como aconteceu com o Brasil, a Argentina também entra em campo sob pressão máxima da própria torcida. Desde quinta-feira, Brasília parece Buenos Aires: cerca de 70 mil argentinos invadiram a capital, na quinta etapa de uma peregrinação que já passou pelo Sul e Sudeste do país.

Após deixar o assunto no ar, Sabella teve de se explicar com os jornalistas. Segundo ele, trata-se de um "tema cultural" superestimar a seleção. "Quando era pequeno, sempre escutava que éramos os melhores do mundo, mas nunca havíamos sido campeões", afirmou, rememorando os anos 1960 e 1970.

A humildade também serve para aplacar as cobranças por um time que vença e convença. A Argentina passou por dificuldades nos quatro jogos que disputou, contra seleções de segundo escalão no cenário internacional. Venceu os adversários da primeira fase por um gol de diferença (2x1 Bósnia, 1 a 0 Irã e 3 a 2 Nigéria) e só passou pela Suíça na prorrogação (1 a 0).

Em todas as partidas, dependeu da genialidade de Messi. O próprio jogador, no entanto, admitiu que a vitória contra os suíços teve uma grande dose de sorte. Caros e famosos na Europa, os atacantes Lavezzi, do Paris Saint-Germain, e Higuaín, do Napoli, têm tido um desempenho muito abaixo das expectativas.

"Ainda não alcançamos o nível que desejamos", admitiu Sabella. Por outro lado, defendeu-se sobre o posicionamento do time, criticado pela imprensa por ser defensivo demais. Para ele, a Argentina apenas faz o que todas as grandes equipes do futebol fazem – preenche espaços para dificultar a vida do oponente.

A diferença para o resto do planeta é contar com Messi. Nesse sentido, Sabella frisou que a vitória nas oitavas só ocorreu porque o atacante Palácio aceitou atuar como volante. Foi ele quem roubou a bola que iniciou a arrancada de Messi, que acabou com o gol de Di María.

"Creio que há uma equipe que apoia Messi, que o fortalece, lhe faz sentir-se bem e jogar bem. Não é fácil. Faz quatro anos ele era criticado. Agora nos dizem que dependemos muito dele", afirmou.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.