
Argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês. No mundo inteiro a anedota é utilizada para tentar explicar a alma dos hermanos. Localizada em algum ponto entre a autoconfiança e a soberba, a característica será colocada à prova hoje, às 13 h,nas quartas de final, contra a Bélgica.
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É o técnico da seleção, Alejandro Sabella, quem puxa a discussão. "Sempre nós argentinos pensamos que somos mais do que somos. Às vezes isso é bom, às vezes é ruim", disse ontem, antes do último treino para o confronto no Mané Garrincha.
A declaração soa como uma estratégia para proteger a equipe das cobranças de um país que há 24 anos não chega a uma semifinal de Copa. Assim como aconteceu com o Brasil, a Argentina também entra em campo sob pressão máxima da própria torcida. Desde quinta-feira, Brasília parece Buenos Aires: cerca de 70 mil argentinos invadiram a capital, na quinta etapa de uma peregrinação que já passou pelo Sul e Sudeste do país.
Após deixar o assunto no ar, Sabella teve de se explicar com os jornalistas. Segundo ele, trata-se de um "tema cultural" superestimar a seleção. "Quando era pequeno, sempre escutava que éramos os melhores do mundo, mas nunca havíamos sido campeões", afirmou, rememorando os anos 1960 e 1970.
A humildade também serve para aplacar as cobranças por um time que vença e convença. A Argentina passou por dificuldades nos quatro jogos que disputou, contra seleções de segundo escalão no cenário internacional. Venceu os adversários da primeira fase por um gol de diferença (2x1 Bósnia, 1 a 0 Irã e 3 a 2 Nigéria) e só passou pela Suíça na prorrogação (1 a 0).
Em todas as partidas, dependeu da genialidade de Messi. O próprio jogador, no entanto, admitiu que a vitória contra os suíços teve uma grande dose de sorte. Caros e famosos na Europa, os atacantes Lavezzi, do Paris Saint-Germain, e Higuaín, do Napoli, têm tido um desempenho muito abaixo das expectativas.
"Ainda não alcançamos o nível que desejamos", admitiu Sabella. Por outro lado, defendeu-se sobre o posicionamento do time, criticado pela imprensa por ser defensivo demais. Para ele, a Argentina apenas faz o que todas as grandes equipes do futebol fazem preenche espaços para dificultar a vida do oponente.
A diferença para o resto do planeta é contar com Messi. Nesse sentido, Sabella frisou que a vitória nas oitavas só ocorreu porque o atacante Palácio aceitou atuar como volante. Foi ele quem roubou a bola que iniciou a arrancada de Messi, que acabou com o gol de Di María.
"Creio que há uma equipe que apoia Messi, que o fortalece, lhe faz sentir-se bem e jogar bem. Não é fácil. Faz quatro anos ele era criticado. Agora nos dizem que dependemos muito dele", afirmou.



