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coreia do norte

15 minutos de abertura

Recluso e arredio, grupo oriental libera uma fresta durante a preparação. Em poucas palavras, craque do time avisa: “Podemos vencer o Brasil”

Paranoicos com segurança, norte-coreanos decidiram ontem abrir o treinamento em Johannesburgo. Não demorou muito e logo fecharam as portas | Stephane De Sakutin/AFP
Paranoicos com segurança, norte-coreanos decidiram ontem abrir o treinamento em Johannesburgo. Não demorou muito e logo fecharam as portas (Foto: Stephane De Sakutin/AFP)
Jong Tae-Se, craque da Coreia do Norte, é o único a falar com a imprensa. Nascido no Japão, ele fala inglês fluente |

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Jong Tae-Se, craque da Coreia do Norte, é o único a falar com a imprensa. Nascido no Japão, ele fala inglês fluente

Para um país que está fechado há 65 anos, 15 minutos pode parecer uma eternidade. Mas não é – ao menos para o futebol.

Os norte-coreanos estavam arrumadinhos como se estivessem prontos para ir a uma festa. Utilizaram o ônibus oficial da Fifa. Para o treino, foram de uniforme. Mas na hora da bola rolar, um bobinho.

Sorrisos, petelecos, chutes na bunda de quem errava, mas nada de futebol. A primeira visão da equipe socialista na sua intimidade soou falsa. Da mesma forma que o discurso poético de seu principal jogador: Jong Tae-Se, mais conhecido como o Rooney asiático.

"Todos dizem que não podemos vencer o Brasil. Mas as pessoas não nos conhecem. Temos corações valentes, jogadores valentes, e quem tem isso pode fazer milagres", afirmou o número 9 do primeiro adversário brasileiro, dia 15, no Ellis Park, em Johannes­­­burgo. "Nós podemos vencer o Bra­­­sil!", completou.

Na verdade, Jong Tae-Se nasceu no Japão, e seus pais são naturais da Coreia do Sul. E talvez por ter de vontade própria resolvido defender o irmão do norte, o jogador tenha se transformado em uma espécie de porta voz do elenco. É sempre o Rooney de olhos puxados e cabelo espetado que tem mais liberdade para falar. Con­­tudo, ontem, a entrevista coletiva, que deveria durar ao menos 15 minutos, acabou em seis.

Enquanto o assunto interessava, ok. Já na segunda resposta, o atleta dobrou seco à esquerda, sem dar sinalização, e relembrou da histórica participação do país em 1966, na Inglaterra.

Na época, a seleção comunista chegou às oitavas de final após vencer a Itália por 1 a 0, jogo lembrado até hoje na Coreia do Norte como exemplo de heroísmo. Depois, no mata-mata, ele foram desclassificados por Portugal. Abriram 3 a 0, mas cederam a virada por 5 a 3.

"Nos inspiramos naquela equipe. Aquele time surpreendeu a todos, nós podemos fazer o mesmo", disse o atacante, repetindo quase a mesma frase dita no aeroporto internacional de Jo­hannes­­burgo, o Tambo, uma prova de que o ensaio foi bem feito.

Mas nem tudo estava no roteiro e saiu como o planejado. Lá pelas tantas (dos seis minutos da entrevista) a pergunta foi sobre o motivo de tanta segurança – jornalistas chegaram a ser ameaçados por policiais. O Rooney asiático olhou para os lados, parecia ter esquecido a resposta. Então foi evasivo.

"Não sei. Sinceramente, não sei", disse.

Foi quando o chefe da comunicação, ou algo assim, fez sua intervenção para o mundo: "É apenas por segurança. Não é medo. É apenas segurança", disse.

Segurança, segredo, medo, não importa. Ao menos para o Brasil. Desde o sorteio dos grupos da Copa do Mundo, que ocorreu em 4 de dezembro do ano passado, a comissão técnica brasileira vem acompanhando o futebol dos norte-coreanos. E nem Dunga acredita que também isso servirá para alguma coisa.

"O Taffarel vai nos passar os detalhes desse último amistoso [Nigéria], mas sabemos muita coisa vista em outros jogos e em vídeos. Só que não adianta muita coisa. Contra o Brasil, todos jogam diferente", afirmou Dunga, logo depois do jogo contra a Tanzânia.

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