
A primeira prorrogação da Copa levou às quartas de final a única seleção africana que continua na disputa. Após o empate por 1 a 1 com os Estados Unidos no tempo normal, Gana garantiu a classificação com um gol de Gyan logo no início do tempo extra. Com o resultado, igualou as melhores campanhas históricas de seleções do continente: Camarões, em 1990, e Senegal, em 2002.
Em sua segunda participação em um Mundial, Gana já faz sua melhor campanha. Em 2006, na Alemanha, os Estrelas Negras foram eliminados pelo Brasil após perder por 3 a 0 nas oitavas de final.
Gana vai encarar agora o Uruguai, que um pouco mais cedo eliminou a Coreia do Sul. A partida das quartas será realizada na sexta-feira, às 15h30 (horário de Brasília), em Johannesburgo. O time que vencer esse duelo pode ter como adversário o Brasil nas semifinais. Isso se o time de Dunga passar pelo Chile e depois superar o vencedor de Holanda e Eslováquia.
"Eu sou o homem mais feliz do mundo", dizia Gyan após o gol decisivo. "Chegamos às oitavas em 2006 e agora demos mais um passo. Somos os únicos representantes da África no Mundial. Não jogadores apenas para Gana, mas para toda a África", discursou. Em vários pontos da África do Sul, se ouviram foguetórios após a classificação dos ganeses.
No início da partida, parecia que a classificação viria no tempo normal. Prince Boateng abriu o placar logo aos 5 minutos. Mas a seleção norte-americana se acostumou a jogar em desvantagem. Isso aconteceu na primeira rodada, ao sair perdendo por 1 a 0 para a Inglaterra e buscar o empate; na segunda, ao levar 2 a 0 da Eslovênia e correr atrás de nova igualdade; e na terceira partida, quando o 0 a 0 com a Argélia significaria a desclassificação, mas Donovan fez o gol da vitória nos acréscimos. Desta vez, o volume de jogo foi premiado quando Dempsey sofreu pênalti de Jonathan. Donovan bateu aos 17 minutos do segundo tempo e empatou.
No início da prorrogação, os yankees viram o adversário passar à frente mais uma vez. Gyan ganhou na força da defesa e bateu forte de perna esquerda. A partir daí, mais pressão norte-americana. Mas nem a ida do goleiro Howard para a área ganesa nos instantes finais ajudou. Muito menos a torcida de celebridades, como o ex-presidente Bill Clinton, o astro da NBA Kobe Bryant e o roqueiro Mick Jagger, presentes ao Estádio Royal Bafokeng.
Mesmo parecendo mais desgastada, a seleção africana suportou até o fim. "Foi um jogo difícil, tivemos de lutar até o último segundo. Estávamos muito cansados, porque jogamos a última partida na quarta-feira", disse o meia Ayew, eleito o melhor em campo em votação no site da Fifa.
Além de continuar na Copa, Gana vê seu principal atacante na luta pela artilharia. Com o gol de ontem, Gyan chegou a três no Mundial, ao lado do espanhol David Villa, do argentino Higuaín, do eslovaco Vittek que ainda entram em campo nas oitavas de final , do uruguaio Luís Suarez que também jogou ontem e do norte-americano Donovan que encerrou a participação na Copa com o pênalti convertido.
Na euforia da comemoração, ficou perceptível que o próximo adversário pouco importava. "Estamos muito felizes. Agora temos de esperar para ver contra quem será o nosso próximo jogo", disse o lateral-direito Pantsil, sem se dar conta de que o Uruguai já estava esperando.
Desfalques
Gana tem três problemas para a partida contra o Uruguai, que o técnico sérvio Milovan Rajevac define como a mais importante da história do país. O meia Ayew e o zagueiro Jonathan estão suspensos por terem tomado o segundo cartão amarelo. O primeiro chegou a dizer que espera uma anistia da Fifa, mas a chance de isso acontecer é zero. O meia Prince Boateng, autor do primeiro gol ontem, saiu sentindo a perna após uma dividida com Donovan. "Esse é um grande problema, os cartões e as contusões. Vamos ver como reagir a isso. Há muito trabalho a ser feito pela nossa equipe médica", disse o treinador. Desde a segunda rodada, ele já não pode contar com o zagueiro Vorsah, lesionado. Justamente Jonathan havia assumido a posição ao lado do capitão Mensah na dupla de zaga.




