
A seleção da Alemanha se apega a uma superstição e a um amuleto para a partida contra a equipe da Argentina. Caso a partida vá para os pênaltis, como na decisão de quatro anos atrás, o técnico Joachim Löw já terá preparada uma arma eficiente para evitar a eliminação: uma lista.
Em 2006, o atual treinador, que era auxiliar de Jürgen Klinsmann, analisou todos os jogadores argentinos e de acordo com suas observações elaborou uma lista para ajudar o goleiro Jens Lehmann a ir para as cobranças já sabendo onde cada batedor chutaria o pênalti. O resultado foi o esperado: Lehmann defendeu os chutes de Cambiasso e Ayala, a Alemanha venceu por 4 a 2, e graças a isso foi às semifinais. Entre uma cobrança e outra, Lehmann tirava a lista do seu calção para consultar as anotações de Löw.
Andreas Köpke, ex-goleiro da seleção, e atual membro da comissão técnica de Löw, disse que prepara uma lista parecida para o duelo deste sábado, caso a partida exija. "Esperamos não precisar dos pênaltis para conseguir a classificação, mas se eles forem necessários, já temos tudo preparado e analisado", disse.
A "Lista de Lehmann", como ficou conhecida em 2006, foi escrita em um bloco de notas de um hotel de Berlim e está conservada em uma vitrine da Federação Alemã junto a outros objetos míticos da história da seleção, como as chuteiras que o atacante Gerd Müller usou na Copa de 1970 e a camisa que Uwe Seeler usou na final do Mundial de 1966. Toda amassada e ilegível, diga-se a lista será uma das peças que estará no Museu Nacional de Futebol, em Dortmund, previsto para ser inaugurado em 2012.
"Lehmann já sabia quem chutaria alto, para a esquerda, para a direita, rasteiro. Sabia tudo. Só faltava saber quais seriam os cinco escolhidos do (José) Pekerman (técnico argentino)", disse o diretor-geral da seleção alemã, Oliver Bierhoff.
Se forem se apegar à história, os alemães não têm muito com o que se preocupar caso a partida vá para os pênaltis. Eles passaram de fase nas quatro Copas em que decidiram uma vaga desta forma.
Em 1982, nas semifinais da Copa do Mundo da Espanha, derrotaram a França por 5 a 4 depois do empate por 3 a 3 após a prorrogação. Em 1986, venceram o México por 4 a 1 depois de empatarem por 0 a 0. Quatro anos mais tarde, nas semifinais do Mundial da Itália, a Inglaterra foi quem sofreu: 4 a 3. A última vítima alemã foi a Argentina, em 2006. Das 18 cobranças alemãs, apenas uma não entrou. Uli Stielike errou o chute dele em 1982.



