• Carregando...
Os holandeses treinaram normalmente, com chuteiras, no Estádio Gelvandale. Depois a delegação seguiria para o Nelson Mandela Bay para reconhecer o gramado. De tênis e sem acesso dos fotógrafos | Thomas Coex/ AFP
Os holandeses treinaram normalmente, com chuteiras, no Estádio Gelvandale. Depois a delegação seguiria para o Nelson Mandela Bay para reconhecer o gramado. De tênis e sem acesso dos fotógrafos| Foto: Thomas Coex/ AFP

100%

Para a Fifa, a Copa do Mundo começa nas Eliminatórias. E a Holanda, desde o início da disputa regionalizada, mantém 100% de aproveitamento. Foram oito vitórias na classificação europeia, contra Macedônia (2 x 1 e 4 x 0), Islândia (2 x 0 e 2 x 1), Noruega (1 x 0 e 2 x 0) e Escócia (3 x 0 e 1 x 0). Emendadas com os quatro triunfos da Copa: Dinamarca (2 x 0), Japão (1 x 0), Camarões (2 x 1) e Eslováquia (2 x 1). O último time campeão do mundo contabilizando apenas vitórias foi o Brasil de 1970. Considerando amistosos, os holandeses não perdem há 23 partidas.

Treinar no gramado do Nelson Mandela Bay, antes do jogo, é proibido; caminhar, não. E a Holanda não se privou do direito de conhecer o campo onde hoje definirá o seu futuro na Copa. Ao mesmo tempo em que Dunga dizia que o reconhecimento sem jogar bola não serve para nada, os jogadores laranjas andavam de tênis no piso–sem acesso dos fotógrafos.

A preocupação do técnico Bert van Mar­­wijk é justificável. Mesmo com 100% de aproveitamento na competição, os holandeses são tão cobrados pela qualidade de seu futebol quanto a seleção brasileira. E, por enquanto, há insatisfação.

Abrir mão de conhecer o gramado seria um luxo para quem car­­rega tanta pressão. O elenco holandês foi de uma grande área a outra, os atletas bateram o pé em lugares específicos do campo, onde se notava que a grama havia sido trocada, e depois voltaram ao ônibus. Ainda tiveram de esperar cerca de 20 minutos, tempo de o treinador Van Mar­­wijk passar pela entrevista coletiva oficial da Fifa. Antes, eles haviam treinado normalmente em outro estádio da cidade.

"O campo está melhor do que imaginávamos. Está bem nivelado", disse Van Marwijk. Ele fez uma única reclamação, sobre o terreno estar duro demais. "Mas não vamos colocar a culpa no campo."

"Mesmo que não tenhamos jogado tão bem, vencemos. Po­­demos melhorar contra o Brasil. Se conseguirmos jogar mais, temos chance de ganhar", afirma o capitão Van Bronckhorst.

Tanto para o técnico como para o defensor, seguirá na competição quem conseguir sobrepor o seu estilo de jogo ao do rival. Van Mar­­wijk analisou todas as partidas do Brasil e notou que as vitórias mais fáceis ocorreram quando o adversário mudou a maneira de jogar para tentar surpreender. Assim, errou mais e virou presa fácil.

"A Costa do Marfim se defendeu. O Chile resolveu atacar. E erraram demais", analisou o treinador, mostrando conhecer bem a proposta de jogo de Dunga. "O Brasil tem um estilo próprio e estável. Inicia lento, depois começa a acelerar. Aguarda sempre o erro do adversário. Não podemos nos enganar, temos de fazer pressão. Aí acho que vai ser um jogo interessante."

A tensão era indisfarçável. Contudo, o que mais chamava a atenção era a extrema hu­­mildade. Dava até para desconfiar. "O Brasil é o favorito desta Co­­pa. Tem os melhores jogadores. Mas já provamos que conseguimos vencer esse tipo de adversário. Se isso acontecer, vamos ter uma noite de festa", disse Van Marwijk.

Depois, cutucou o ídolo maior do seu país, que bateu no seu time: "Ele [Cruyff] sempre tem uma opinião forte. Hoje ele gosta do estilo espanhol, mas a Espanha também tem problemas. Só quando fez o gol contra Portugal é que começou a jogar bem e controlar a partida."

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]