Argentina campeã e África do Sul surpresa da Copa. Seria de estranhar uma projeção menos polêmica vinda de Dadá Maravilha, centroavante da seleção que conquistou o tricampeonato Mundial no México, há 40 anos. Colecionador de títulos e recordes em campo, sua fama perdura mais por sua capacidade frasísistica, que criou pérolas como "Se minha estrela não brilhar, eu passo lustrador".
Aos 64 anos, Dadá diz que, como brasileiro, vai assistir a cada partida da seleção na Copa com fervor de torcedor. Mas é mais um a lastimar o caráter defensivo que o time canarinho ganhou sob o comando de Dunga. "Não vejo a menor condição de o Brasil ser campeão. O modo como esses jogadores têm sido tratados, com tanta restrição, esse enclausuramento em nome de profissionalismo... No meu tempo, éramos românticos, jogávamos por amor", setencia.
Defensor do clichê "a melhor defesa é o ataque", Dadá diz que a força ofensiva de seis atacantes convocados por Maradona levará os hermanos ao tricampeonato. "A Argentina faz hoje o papel da seleção brasileira de 70: saiu desacreditada do país e voltou com a taça. Chegou a vez do melhor jogador do mundo, o Messi, acabar com a Copa", afirma. O tricampeão mundial afirma que, o grito e o volume das vuvuzelas nas arquibancadas vão levar os Bafana Bafana, donos da casa, bem além da primeira fase.
Ao atual plantel canarinho, sobra ares de seriedade, afirma. "Os comandados são a imagem do comandante", explica, em mais uma frase de efeito. "Gosto muito do Dunga, mas ele está muito fechado, nunca o time foi assim, tão sisudo. Nem em 1994, porque tinha o Romário, que dizia que ia ser campeão; nem em 2002, com o Felipão", prossegue, ao comentar as ausências na convocação, especialmente no meio campo.
"Faltou o Fábio, grande goleiro do Cruzeiro, o [Diego] Tardelli [atacante do Atlético-MG], os meninos da Vila [Neymar e Ganso, do Santos] e o Alex, talentosíssimo no Fenerbahçe [da Turquia]. Ele é um jogador fora de série, com experiência e qualidade técnica que iriam ajudar muito o Brasil", fala Dadá sobre o ex-meia do Coritiba.
Terceiro maior artilheiro do futebol brasileiro, com 926 gols atrás apenas de Romário (1002 gols) e Pelé (1284) Dadá lamenta a troca do jogo travesso pelo modelo "europeizado" no futebol brasileiro. "Esse negócio de fazer jogador ganhar peso tem feito o nosso atleta perder jogo de cintura. Antigamente, era na ginga, na arte. Agora, os europeus se equipararam a nós. Nosso atleta é como o deles, não é mais longilíneo. É um tronco de árvore", fala.
O craque tricampeão não esconde que a intenção das frases é causar efeito. "Quando jogava, o que mais gostava era de ouvir a torcida adversária me xingar. Se me xingarem de novo, não vou me importar" arremata.



