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Apito

Fifa descarta tecnologia por razões ideológico-financeiras

O árbitro Jorge Larrionda terá proteção especial a pedido da Fifa | Francois Xavier Marti/ AFP
O árbitro Jorge Larrionda terá proteção especial a pedido da Fifa (Foto: Francois Xavier Marti/ AFP)

Depois de erros grosseiros dos árbitros na Copa do Mundo, a Fifa opta por reduzir – e não aumentar a tecnologia em campo. A entidade não mostrará mais os lances polêmicos nos telões dos estádios. A Fifa voltou a vetar ontem a in­­trodução de novas tecnologias para ajudar os juízes e se manteve em silêncio total sobre as atuações de arbitragens que comprometeram resultados nos jogos das oitavas de final.

Enquanto isso, as empresas de tecnologia garantiram que seus sistemas de sensores em bolas são 100% confiáveis e deixariam o futebol "mais justo". Segundo as companhias, não há mais impedimentos técnicos para o sucesso dos sensores na bola. O debate da tecnologia chegou à política. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, engrossou os apelos para que a Fifa faça uma revisão de sua posição e comece aceitar a tecnologia no futebol.

No domingo, o jogo entre In­­glaterra e Alemanha entrou para a história dos maiores erros das Copas. Lampard chutou, a bola bateu no travessão e caiu dentro do gol da Alemanha. Mas o árbitro mandou o jogo seguir. Horas depois, a Argentina abria o placar contra o México com um gol irregular, validado pelo juiz. Re­­cebendo uma chuva de críticas, a opção da Fifa foi a de responsabilizar o telão dos estádios, e não os árbitros.

O problema, segundo a Fifa, é que o telão mostrou um replay do lance, fazendo os jogadores me­­xicanos partirem para cima da arbitragem. O público também protestou. A entidade prometeu selecionar a partir de agora os lances que são autorizados a serem repetidos no telão dos estádios. Mas, nos bastidores, a guerra é outra, já dura uma década e envolve contratos milionários. O debate sobre a introdução de bolas com chips em campos de futebol não move apenas ideologias diferentes, mas o próprio comércio em torno do futebol.

Uma fonte da Fifa confirmou que um dos problemas é que a tecnologia de implementar um chip na bola ou câmeras nos gols para determinar se ela cruzou ou não a linha do gol é de propriedade de apenas duas empresas: a alemã Cairos e a britânica Hawk Eye. Portanto, se a entidade estabelecesse que a Copa deveria contar com a tecnologia, isso significaria praticamente um monopólio dessas empresas. A tecnologia já foi patenteada pelas duas companhias.

Se a tecnologia fosse adotada em uma Copa, a regra estipula que também precisa ser implementada nas Eliminatórias nos cinco continentes, exatamente para garantir uma igualdade de condições entre todas as quase 200 seleções que disputam as 32 vagas para o Mundial. Poucos na Fifa duvidam da capacidade da Europa de difundir a tecnologia em todos seus estádios principais. Mas poucos acreditam que a federação de futebol de Mali ou do Camboja, por exemplo, teriam condições de pagar pela tecnologia em seus estádios.

Por enquanto, a única opção real que a Fifa avalia é a introdução de mais dois assistentes para ajudar nas decisões sobre lances na área e no gol.

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