
A Espanha perdeu apenas duas de suas últimas 49 partidas, ambas na África do Sul, sempre diante de equipes que não estão entre as maiores potências da bola.
Já a Suíça completou, contra a principal favorita ao título, seu quinto jogo seguido de Copa sem sofrer gol. O placar de 1 a 0 a favor do time de Ottmar Hitzfeld é a primeira grande zebra do Mundial.
O resultado atinge indiretamente o grupo da seleção brasileira. Pelo emparceiramento, o primeiro da chave do Brasil encara o segundo do quadrante ibérico e vice-versa. Logo, a derrota pode sinalizar um confronto já nas oitavas entre o 1.º (o time de Dunga) e o 2.º (de Vicente del Bosque) do ranking da Fifa.
Os espanhóis tiveram 63% de posse de bola, finalizaram o triplo do adversário (24 a 8), mas sucumbiram em jogada iniciada com um chutão do goleiro Benaglio e concluída com um chute de Gelson Fernandes, atleta de origem africana (Cabo Verde).
Sem Fernando Torres 100%, o técnico Vicente del Bosque deixou só Villa fixo no ataque, mas seu talentoso meio-campo rodava a bola e mantinha a Suíça acuada.
Mesmo assim, as chances de gol da Fúria só começaram a partir da metade da etapa inicial. O zagueiro Piqué recebeu passe magistral de Iniesta e quase marcou.
O "ferrolho suíço, que já não pôde usar Frei e Behrami, lesionados, perdeu na primeira etapa seu principal zagueiro, Senderos.
Trabalhando a bola de lado a lado, como o Barcelona ou um time de handebol, a Espanha tinha dificuldade para furar o bloqueio rival.
Veio o segundo tempo, e a Suíça passou a contra-atacar. Derdiyok fazia o que podia contra a defesa espanhola e levou a melhor na jogada do gol. Lembrando o argentino Kempes ante a Holanda na final da Copa de 1978, foi trombando após receber de Nkufo. Após choque com Casillas, viu a bola sobrar, sem goleiro, para Fernandes: 1 a 0.
A partida ficou mais aberta, especialmente após a entrada de Fernando Torres, que logo perdeu duas boas chances para marcar. Numa das jogadas individuais mais belas da Copa, Derdiyok se livrou de Piqué e Puyol na área e tocou no contrapé de Casillas. A bola bateu na trave.
Um 2 a 0 lembraria de vez a derrota espanhola para os EUA na Copa das Confederações. A Fúria até acertou o travessão, mas não evitou o primeiro revés ante a Suíça em 19 duelos. Fato inédito, não tanto quanto a Espanha sofrer em Copas e na África.




