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Finanças

Lucro em jogo

Além de aquecer o mercado interno, êxito da seleção brasileira seria chamariz de capital estrangeiro. Verbas ajudariam a realizar a Copa de 2014

Jayme Leonel, do polo de bonés de Apucarana: “Se o Brasil for mal na Copa, o  estoque de bonés vai encalhar.” | Sérgio Rodrigo
Jayme Leonel, do polo de bonés de Apucarana: “Se o Brasil for mal na Copa, o estoque de bonés vai encalhar.” (Foto: Sérgio Rodrigo)

Não apenas os afi cionados por futebol estarão de olho na seleção brasileira a partir de 11 de junho. Empresários e economistas também estarão atentos à campanha do Brasil na Copa. Afinal, dependendo do desempenho nos gramados sul-africanos, a economia brasileira poderá colher boas cifras ou amargar prejuízos após o Mundial.Ainda não há um cálculo exato de quanto a conquista do sexto título mundial pode representar para a economia. Entretanto, o montante de aproximadamente R$ 30 bilhões injetado no país logo após a conquista do penta em 2002 dá a ideia de quanto um bom desempenho do time Dun­­ga poderá refletir no mercado nacional. Principalmente em re­­lação a investimentos do exterior.

Fernando Abarche, ex-professor da Fundação Getúlio Var­­gas (FGV) e atualmente pesquisador na área de Inteligência de Mercado do Instituto Tecno­­ló­­gico de Aeronáutica (ITA), explica que a conquista do hexa pode ser o grande chamariz pa­­ra a vinda de investimentos de fundos internacionais. In­­clu­­sive para serem aplicados em in­­fraestrutura da Copa seguinte, que será disputada no Brasil.

"Nossa exposição positiva nos outros países é pequena. E conquistar a Copa traz um benefício direto em marketing, o que ajuda muito a despertar o interesse de fundos internacionais, que hoje não têm muitas opções de onde investir", avalia o economista.

Em termos de mercado interno, Arbache avalia que a contribuição de uma boa campanha na Copa é relativamente pequena. "Há um crescimento temporal nas vendas de certos produtos, como tevês, mas nada a longo e médio prazo, que realmente impacte", explica o economista. Mesmo assim, dizem os empresários, o momento é para aproveitar.

Só o polo produtor de bonés em Apucarana, no Norte do estado, espera aumentar a produção em 25% para atender a demanda gerada pelo Mundial. A expectativa é chegar a 7,5 milhões de unidades por mês até julho, com possibilidade de uma produção extra, caso o Brasil vença a Copa. "Em compensação, se o Brasil for mal, vamos ficar com o estoque todo encalhado, tendo que vender depois abaixo do preço de produção", enfatiza Jayme Leo­­nel, presidente do Sindicato do Vestuário de Apuca­­rana, dando uma demonstração do grau de dependência do setor com o desempenho da seleção.

No setor de supermercados, o resultado geral não chega a ser expressivo no período. De acordo com a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), o impacto das vendas relativas ao torneio de seleções fica em torno de 3%. Entretanto, afirma o presidente da Apras, Pedro Joanir Zonta, a procura por alguns produtos específicos cresce consideravelmente durante a competição.

Um exemplo, cita Zonta, é a venda de cerveja. A estimativa é de que o comércio da bebida aumente em torno de 20% nos supermercados durante a Copa do Mundo. "Para nós isso é muito interessante, porque normalmente o mês de junho é justamente quando começa a cair a venda de cerveja por causa do frio", explica o presidente da Apras.

Mercado da bola

Para o consultor Oliver Seitz, membro do Núcleo da Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool (Inglaterra), a conquista do hexa valorizaria ainda mais os jogadores brasileiros. O que não é necessariamente bom. "O jogador brasileiro já está inflacionado, inclusive no mercado interno. Tanto que temos visto a contratação de atletas ar­­gentinos e colombianos para o futebol nacional por causa disso: eles são mais baratos", argumenta.

A única parte a realmente lu­­crar com o título na África do Sul, aponta Seitz, é a própria Con­­federação Brasileira de Fu­­tebol (CBF). "O Brasil já está in­­do para a África com o recorde de patrocinadores (dez). Com o hexa, mais grupos, inclusive internacionais, podem querer associar sua marca à seleção", avalia o consultor.

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