
Não apenas os afi cionados por futebol estarão de olho na seleção brasileira a partir de 11 de junho. Empresários e economistas também estarão atentos à campanha do Brasil na Copa. Afinal, dependendo do desempenho nos gramados sul-africanos, a economia brasileira poderá colher boas cifras ou amargar prejuízos após o Mundial.Ainda não há um cálculo exato de quanto a conquista do sexto título mundial pode representar para a economia. Entretanto, o montante de aproximadamente R$ 30 bilhões injetado no país logo após a conquista do penta em 2002 dá a ideia de quanto um bom desempenho do time Dunga poderá refletir no mercado nacional. Principalmente em relação a investimentos do exterior.
Fernando Abarche, ex-professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e atualmente pesquisador na área de Inteligência de Mercado do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), explica que a conquista do hexa pode ser o grande chamariz para a vinda de investimentos de fundos internacionais. Inclusive para serem aplicados em infraestrutura da Copa seguinte, que será disputada no Brasil.
"Nossa exposição positiva nos outros países é pequena. E conquistar a Copa traz um benefício direto em marketing, o que ajuda muito a despertar o interesse de fundos internacionais, que hoje não têm muitas opções de onde investir", avalia o economista.
Em termos de mercado interno, Arbache avalia que a contribuição de uma boa campanha na Copa é relativamente pequena. "Há um crescimento temporal nas vendas de certos produtos, como tevês, mas nada a longo e médio prazo, que realmente impacte", explica o economista. Mesmo assim, dizem os empresários, o momento é para aproveitar.
Só o polo produtor de bonés em Apucarana, no Norte do estado, espera aumentar a produção em 25% para atender a demanda gerada pelo Mundial. A expectativa é chegar a 7,5 milhões de unidades por mês até julho, com possibilidade de uma produção extra, caso o Brasil vença a Copa. "Em compensação, se o Brasil for mal, vamos ficar com o estoque todo encalhado, tendo que vender depois abaixo do preço de produção", enfatiza Jayme Leonel, presidente do Sindicato do Vestuário de Apucarana, dando uma demonstração do grau de dependência do setor com o desempenho da seleção.
No setor de supermercados, o resultado geral não chega a ser expressivo no período. De acordo com a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), o impacto das vendas relativas ao torneio de seleções fica em torno de 3%. Entretanto, afirma o presidente da Apras, Pedro Joanir Zonta, a procura por alguns produtos específicos cresce consideravelmente durante a competição.
Um exemplo, cita Zonta, é a venda de cerveja. A estimativa é de que o comércio da bebida aumente em torno de 20% nos supermercados durante a Copa do Mundo. "Para nós isso é muito interessante, porque normalmente o mês de junho é justamente quando começa a cair a venda de cerveja por causa do frio", explica o presidente da Apras.
Mercado da bola
Para o consultor Oliver Seitz, membro do Núcleo da Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool (Inglaterra), a conquista do hexa valorizaria ainda mais os jogadores brasileiros. O que não é necessariamente bom. "O jogador brasileiro já está inflacionado, inclusive no mercado interno. Tanto que temos visto a contratação de atletas argentinos e colombianos para o futebol nacional por causa disso: eles são mais baratos", argumenta.
A única parte a realmente lucrar com o título na África do Sul, aponta Seitz, é a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF). "O Brasil já está indo para a África com o recorde de patrocinadores (dez). Com o hexa, mais grupos, inclusive internacionais, podem querer associar sua marca à seleção", avalia o consultor.



