
Milão, 17 horas. Ronaldinho Gaúcho aperta o botão vermelho do controle remoto de sua moderna televisão, sintoniza um canal a cabo do Brasil e começa a vigília. Do outro lado do Atlântico, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio, o técnico Dunga retira de um envelope a lista final dos 23 atletas que irão representar o país na África do Sul...A parte inicial do roteiro pode nem ser bem essa, mas existe apenas duas possibilidades de desfecho para o meia do Milan hoje. Se seu nome constar na relação do conterrâneo, o armador completa a guinada que havia proposto para sua carreira, depois de duas temporadas inteiras (2007/2008 e 2008/2009) imerso no ostracismo de quem nem de longe lembrava o "melhor do planeta" título concedido pela Fifa em 2004 e 2005.Caso Dunga não se renda aos apelos, deixando o gaúcho mais uma vez de lado, Ronaldinho chega aos 30 anos sem perspectiva em relação à seleção. Alijado de apagar os dois fracassos seguidos com a amarelinha (Copa 2006 e Olimpíada 2008), o meia restringiu seu universo ao Milan. Pouco para quem falava em voltar ao topo.
O jogador, porém, permanece otimista, sem um plano B alinhavado. Segue com o discurso de ajudar o Brasil a conquistar o seu sexto título mundial.
"Eu sou muito positivo. Só penso em fazer o meu melhor para ir à Copa", disse ele, em campanha aberta. "Em 2006 aprendi o que é sofrer. Perder aquela Copa foi um sofrimento muito grande. Para esta, estou pronto, preparado e motivado", emendou, em entrevista à Rede Record.
Ronaldinho se apega em sua trajetória recente para vencer a resistência de Dunga. O armador voltou a jogar bem no Milan depois que passou a atuar pelo lado esquerdo do campo, posicionamento de seus melhores dias com a camisa azul e grená do Barcelona.
Os números também lhe são favoráveis. Na temporada foram 13 gols e 16 assistências em 47 jogos. Ficou ausente apenas em 2 das 37 partidas do Rubro-Negro no Campeonato Italiano, sequência que não tinha há anos.
Desempenho superior ao dos dois últimos anos, mas que não chega perto da época em que era o número 1 do mundo. Há quatro temporadas, antes de a bola rolar na Alemanha, Ronaldinho havia balançado a rede 25 vezes e colaborado com 18 passes decisivos em 47 confrontos. Quase um gol ou "quase gol" por rodada.
O meia ganhou também importantes cabos eleitorais. Pelé, Zagallo, Romário... Ontem, Ronaldo saiu em defesa de sua convocação. "O Ronaldinho vai ser convocado. Isso é zero de informação. É só opinião. Ele voltou a jogar um grande futebol no Milan", ressaltou ele, na festa de lançamento de seu Twitter.
A resposta, hoje, com Dunga.Roberto Carlos e Adriano também choram por vaga
Não é só Ronaldinho Gaúcho que faz parte do time de "chorões". Roberto Carlos, 37 anos, e Adriano, 28, também querem ir à África para apagar a experiência fracassada na Alemanha, quando a seleção parou logo nas quartas de final, eliminada pela França.
"Esperar, eu espero [ser chamado]. Meu trabalho tem melhorado muito no Corinthians", disse ele. "É muito bom fazer parte da seleção. Estou à disposição", seguiu, apostando na indefinição de Dunga na ala-esquerda chamou 9 para a posição em 3 anos e meio.Adriano vem sendo convocado seguidamente. Porém, problemas extracampo podem abreviar sua trajetória na seleção. O Imperador faltou a 13 treinos do Flamengo no ano.
Ao vivo
Convocação da seleção brasileira, às 13 horas, na RPC TV, Band, SporTV, ESPN Brasil.




