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Esquema tático

A cara de Dunga

Apoiado na eficiência da zaga e copiando o pragmatismo da seleção campeã de 94, técnico troca o futebol ofensivo pela defesa sólida

  • Carlos Eduardo Vicelli
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“Um bom ataque ganha uma partida, uma boa defesa ganha um campeonato.” A velha frase, já creditada a inúmeros autores, ecoa dia e noite na cabeça de Dunga. Ex-volante, que tinha na marcação sua principal característica, o técnico mudou o perfil da seleção brasileira usando a sentença como lema.

Com a prancheta na mão, relegou o ataque envolvente, característica marcante de quatro (58, 62, 70 e 02) dos cinco títulos mundiais do país, a segundo plano. A opção foi por um sistema defensivo sólido, inspirado no time campeão nos Estados Unidos em 94, do qual o treinador era o capitão e líder.

Pelo menos por ora a estratégia tem surtido efeito. Dunga estreou no time nacional em agosto de 2006, no amistoso com a Noruega – 1 a 1 em Oslo. Desde então, o gaúcho de Ijuí sentou outras 52 vezes no banco de reservas. Viu a retaguarda brasileira ser vencida em 36 oportunidades (média de 0,67), índice inferior ao de Carlos Alberto Parreira, estigmatizado como retranqueiro justamente por causa da campanha do tetra, em sua última passagem pela CBF (0,74).

O defensivismo ajudou Dun­­ga a erguer os troféus da Copa América (2007) e da Copa das Confederações (2009), além de dar ao Brasil o primeiro lugar nas Eliminatórias Sul-Ame­­rica­­nas. Inverteu, ainda, a lógica em torno dos ídolos. À exceção de Kaká, os nomes mais comentados do grupo convocado são de jogadores da linha de trás, como Júlio César (para muitos o melhor goleiro do mundo), o lateral Maicon, seu reserva Daniel Alves e os zagueiros Lúcio e Juan.

“O Dunga tem uma grande parcela de contribuição para a mudança de mentalidade na seleção. Ele começou a abrir os olhos das pessoas para a importância do setor defensivo”, afirmou o zagueiro Juan, 117 convocações – ao lado do parceiro Lúcio, é o líder no grupo atual. “Todos estão dando mais valor para o trabalho que realizamos, e o reconhecimento é algo que nos dá orgulho, por toda cultura ofensiva e por todas as estrelas que fazem parte do nosso futebol”, emendou, em entrevista ao site da Fifa, que, na sexta-feira, 7 de maio, estampou na capa uma longa reportagem sobre a dupla de zagueiros do país.

Juan e Lúcio se conhecem há tempos. Começaram a jogar juntos em julho de 2002, no alemão Bayer Leverkusen. Estrearam lado a lado com a amarelinha em 2005. Juntos, perderam apenas três jogos em um total de 37. “O entrosamento e o companheirismo são muito fortes e isso é fundamental para se vencer”, ressaltou Lúcio.

Meio a contragosto, até o técnico italiano Marcello Lippi se rendeu à soberania defensiva da equipe de Dunga. “Dificilmente se vê uma seleção que não se preocupa com a defesa vencer alguma coisa. Um exemplo disso é a do Brasil, que se tornou muito europeizada nos últimos anos, com Dunga. E por isso se tornou a seleção mais forte que existe”, destacou o treinador, campeão na Ale-manha (2006), incomodado em ver a velha tática da Azzurra se espelhar mundo afora.

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