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Brasil

Clássico do pagode embala a seleção

Sucesso de 2002 do grupo Revelação abre o voo do time de Dunga à África do Sul. Já no país da Copa, treinador fala hoje com os jornalistas

O avião fretado para a seleção brasileira e poucos jornalistas foi preparado com mensagens de incentivo. Depois da escala em Brasília, delegação rumou para a África do Sul | Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
O avião fretado para a seleção brasileira e poucos jornalistas foi preparado com mensagens de incentivo. Depois da escala em Brasília, delegação rumou para a África do Sul (Foto: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo)

O primeiro pagode tocado pelos jogadores da seleção brasileira no voo do Brasil para a África do Sul fala de paixão e de sofrimento. Sentimentos que devem ser misturados para a conquista do hexa. A música Grades do Cora­­ção, sucesso de 2002, do grupo Revelação, começou meio tímida, mas aos poucos ganhou alto e bom som.

Na palma da mão e nas vozes, sob o comando do cavaquinho de Júlio Baptista, o time de Dunga rapidamente começou a se descontrair no avião que decolou de Curitiba às 12h46 de ontem. Às 14h12, a aeronave pousou em Brasília e, após homenagem e um "boa sorte" do presidente Lula, partiu para a Copa do Mundo – a chegada a Johan­­nesburgo ocorreria por volta das 3 horas da manhã de Brasília (8 horas local).

Após pegar no tranco, o estilo musical predileto dos atletas foi tocado em uma canção atrás da outra. Junto a JB (como Kaká chama Baptista), Robinho, Daniel Alves e Thiago Silva comandam os outros instrumentos – tantã, pandeiro e banjo. O ritmo de Água da Minha Sede (O meu Amor é Passarinheiro), de Zeca Pagodinho, também ganhou uma versão na voz do time de Dunga.

É tradição a equipe nacional eleger durante a Copa uma letra preferida. Em 2002, durante a conquista do penta, "Festa", de Ivete Sangalo, dominou as concentrações do time de Felipão, assim como "Deixa a Vida me Levar", outra de Zeca Pagodinho. Em 2010 ainda não foi escolhido um tema símbolo para o elenco, mas a convivência ininterrupta de mais de 50 dias não vai deixar isso perdurar.

Apesar do clima descontraído, existia uma certa dose de tensão no deslocamento até o país do Mundial. Assim como ocorreu nos seis dias de encastelamento no CT do Caju, a im­­prensa teve restrição quase total. Uma cortina separa a primeira classe, onde estavam os jogadores, dos 38 jornalistas que embarcaram.

Do fundão, é possível apenas ouvir as risadas e palmas. Imagens e entrevistas não são permitidas. Ao tentar fazer uma pergunta para o olheiro Taffarel (goleiro tetracampeão em 1994), a reportagem foi advertida – mesmo com o ex-camisa 1 sendo simpático.

"Sou pé-quente. Fui o primeiro a entrar aqui", afirmou ele, garantindo que ainda nem teve uma conversa mais detalhada com Dunga sobre os adversários no torneio da Fifa.

No Hotel Fairway, local de concentração em Johan­­nes­­burgo, o lateral-direito Maicon e o zagueiro Lúcio completarão o grupo. Os dois, com o goleiro Júlio César, foram campeões da Liga dos Campeões no sábado, pela Inter de Milão, mas preferiram ir direto para a África.

Após a desgastante viagem, que tinha uma estimativa de 14 horas contando a escala na capital federal, hoje à tarde o grupo faz apenas um treino desintoxicante – para soltar os atletas após o longo tempo no avião – na Escola Hoerskool Randburg. Antes disso, às 13 horas (8 horas de Brasília), Dunga concede a sua primeira entrevista coletiva desde a apresentação para a Copa.

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