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reta final

Ditadura dunga

Alegando que o importante é a seleção, técnico impõe filosofia de trabalho na qual não há meio termo: quem não é amigo é tratado como inimigo

Dunga e a brincadeira de esconde-esconde com a imprensa: virou diversão para o técnico. | Valterci Santos/ Gazeta do Povo – enviado especial
Dunga e a brincadeira de esconde-esconde com a imprensa: virou diversão para o técnico. (Foto: Valterci Santos/ Gazeta do Povo – enviado especial)

Com Dunga não há meio termo. Ou você está com ele ou não. Na seleção brasileira o técnico implantou a filosofia do 8 ou 80 desde que assumiu o cargo, em agosto de 2006. De lá para cá não mudou uma linha do que pensa. E nem a forma como age.

O radicalismo do treinador já apareceu de todas as maneiras. Tanto nas contestadas convocações com jogadores em péssima fase, como nos entreveros com jornalistas que ousam questionar o seu método.

Autoridade refletida dentro de campo. Os que rezam sua cartilha estão na África do Sul. No elenco que comanda praticamente não há espaço para individualidades e os "inimigos" são tratados sem nenhuma complacência.

Durante a Copa do Mundo, com os sentimentos mais exaltados, não se furtou em tomar a inédita iniciativa de fechar inteiramente alguns treinos da equipe. Também mandou limitar as entrevistas durante a competição.

Nem que para isso tivesse de comprar a briga de aturar cerca de 400 profissionais de mídia que cobrem o dia a dia do grupo brasileiro sedentos por notícias. A seleção é enclausurada. Para ele, o que vale é o seu time. "Tudo isso [a imprensa em cima da equipe] existe por causa da seleção. Ela é o ponto central", garante, sem medo da repercussão de seus atos e de suas declarações.

Quando erra feio e vê que pode ficar em maus lençóis, pede desculpa. Foi assim antes do empate por 0 a 0 com Portugal, na sexta-feira. A entrevista do dia anterior à partida só aumentou sua popularidade, que já não era baixa.

Em Curitiba, por exemplo, 65,5% dos entrevistados, de acordo com um levantamento do instituto Paraná Pesquisas, consideravam a atuação de Dunga antes da Copa boa ou ótima. Agora, não há nenhum indício de mudança para baixo dos números.

"Você torcedor que está em casa" é a forma com que o técnico costuma se dirigir ao público, especialmente quando o assunto em pauta nas suas coletivas não o agrada.

Conversa direta que ele também tem com o grupo. Na concentração e nos treinos, o "papo é reto". As folgas dos atletas, sob outras gestões fartas e sem restrições de horário, agora viraram raridade. Desde que o Mundial começou, nenhum dia inteiro foi livre.

O desconto pode ser considerado pelo relacionamento do dia a dia. Dunga é um treinador que não impede seus comandados de fazerem o que gostam nos treinos. Ele e o auxiliar Jorginho até participam dos rachões e ajudam na montagem e na retirada dos equipamentos para exercícios.

Assim, tem todos os jogadores na mão. Em Durban, na quinta-feira, atrasou o treino na favela de Kwamashu para deixar crianças da região entrar. Chamou Kaká e Gilberto Silva e ordenou a ida dos 23 convocados até o alambrado. Ninguém desobedeceu.

Coisas pequenas que mostram seu poder na seleção e podem fazer a diferença a partir de amanhã, com o início da fase final, contra o Chile. Afinal, agora é 8 ou 80.

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