
O desempenho das 32 seleções na primeira rodada da Copa ratifica um dos principais pilares de sustentação do discurso do técnico Dunga. Para ele "os números provam" que o seu time tem eficiência e equilíbrio.
Esquecendo a ausência do show e a baixa qualidade do futebol apresentado nos 2 a 1 sobre a Coreia do Norte, o Brasil foi a equipe que teve mais destaque nos jogos de abertura do Mundial. Pelo menos nas estatísticas.
Segundo levantamento da Fifa, considerando a estreia de cada time, a seleção brasileira foi a que mais chutou a gol, a que mais teve posse de bola (empatada com a derrotada Espanha) e a que produziu o maior índice de aproveitamento nos passes.
O sucesso do estilo Dunga de jogar bola rendeu três gols um do adversário , mas os pentacampeões mundiais ficaram longe de elevar a média de gols do torneio. Sem uma artilharia pesada verde e amarela, o que se viu foi o vexame da pior média de bolas na rede da história das Copas em uma primeira rodada 1,56 gol por partida.
No entanto, como para o sistemático capitão do tetra o que vale é somente o resultado, a seleção ignora o desastre ofensivo generalizado.
Por mais que o adversário dos canarinhos tenha sido a frágil e recuada Coreia do Norte, a frieza da matemática já anima e dá mais motivos para a comissão técnica prosseguir o método pragmático de trabalho.
Outros favoritos que enfrentaram rivais não muito mais potentes do que os norte-coreanos (Inglaterra pegou os EUA; Argentina, a Nigéria, por exemplo), não conseguiram o mesmo aproveitamento estatístico que o do Brasil.
Mesmo vencendo com um magro 2 a 1, a liderança nas finalizações é da seleção brasileira. Foram 26 arremates a contagem da Fifa inclui qualquer tentativa de chute a gol, mesmo as que não tomam a direção da meta ou que alguém bloqueia no meio do caminho. Neste quesito, destaque para Robinho, que arriscou seis vezes. Até a Alemanha, que fez 4 a 0 na Austrália, chutou só 16 vezes à meta rival.
Nos passes, a constante troca de toques curtos de lado a lado para tentar furar o bloqueio asiático garantiu 82,9% de acerto. Responsáveis pela saída da bola da defesa para o ataque, os volantes Felipe Melo e Gilberto Silva foram os mais precisos dos comandados de Dunga com 91% de aproveitamento.
Por fim, diante de um oponente que apenas tentava o contragolpe, os canarinhos mantiveram o domínio da Jabulani por 63% do período de jogo. Marca igualada ontem pelos espanhóis, mas com menor eficiência, já que a Fúria perdeu para a Suíça por 1 a 0.
Apesar de o treinador dizer que sempre quer "mais e mais", independentemente do apresentado nos gramados sul-africanos, enquanto os números avalizarem seu trabalho, Dunga nunca vai aceitar as críticas.



