
O atacante Robinho vive um "boom" comercial. Em 2010, com a proximidade da Copa e o retorno ao Brasil desde fevereiro para defender o Santos, se tornou o garoto propaganda de cinco diferentes empresas (Samsung, Seara, Rexona, Volkswagen e Nike). Até Kaká, patrocinado por três gigantes (Gilette, Armani e Adidas), ficou para trás.
A evolução comercial do camisa 11 produz não só peças de propaganda nas quais aparece como protagonista principal no Brasil. Na África do Sul, "Róbino" como é chamado pelos locais, também está por todos os lados.
Em Sandton, bairro mais nobre de Johannesburgo e que concentra o principal centro financeiro sul-africano, o santista aparece em um anúncio da Nike que cobre a fachada de um prédio de ponta a ponta.
Tanta exposição publicitária virou até debate na única entrevista coletiva concedida pelo jogador em solo africano. O fato de um Robinho moleque ter quebrado carros em um dos comerciais de tevê o fez brincar: "Eu quebrava, mas virei jogador. Tanto que sempre ficava com a bola", disse.
Campeão paulista pelo Peixe e destaque nos amistosos contra Zimbábue e Tanzânia, com três gols, o craque das pedaladas vive a explosão midiática também porque os outros atacantes convocados por Dunga não carregam o mesmo apelo.
Grafite mal jogou pelo escrete canarinho. Nilmar se destacou no ano passado, mas não consegue manter o mesmo nível da seleção no Villareal. Luís Fabiano, mesmo sendo titular inquestionável, vai para o primeiro Mundial, como os dois companheiros.
Mesmo Robinho, jogador mais convocado pelo capitão do tetra, foi reserva há quatro anos sob o comando de Carlos Alberto Parreira, na Alemanha. Nenhum dos avantes do grupo que está na África já marcou gol em Copa.
Artilheiro da Copa das Confederações do ano passado, Luís Fabiano foi requisitado para a campanha publicitária da Brahma. Mas, nos bastidores da seleção, sabe-se que os valores (não revelados) nem chegam perto dos pagos ao astro Robinho.
Diferença que o Fabuloso vai ter de tirar com o desempenho no Mundial. O centroavante, voltando de contusão, foi mal nos jogos contra zimbabuanos e tanzanianos. E já está há nove meses (ou cinco jogos) sem balançar a rede pelo Brasil o último gol foi no triunfo por 3 a 1 sobre a Argentina, em Rosário, pelas Eliminatórias.
Dunga, no entanto, garante não se preocupar com o jejum ou a falta de experiência. As dúvidas em cima do setor ofensivo, atualmente bem mais questionado que a defesa, são respondidas pelo técnico com números.
Em 55 jogos, o "professor" viu a seleção balançar a rede 116 vezes. "Não sei como um time que marca tantos gols pode ser considerado com um ataque fraco", argumenta, nunca aceitando a análise de que prioriza os contragolpes.




