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Síntese de uma saga sul-africana

  • 11/07/2010 21:11
Repórter Marcio Reinecken, titular deste espaço desde o início da Copa, na Cidade do Cabo, cartão-postal sul-africano | Albari Rosa e Valterci Santos/Gazeta do Povo – enviado especial
Repórter Marcio Reinecken, titular deste espaço desde o início da Copa, na Cidade do Cabo, cartão-postal sul-africano| Foto: Albari Rosa e Valterci Santos/Gazeta do Povo – enviado especial
  • O fotógrafo Albari Rosa
  • Carlos Eduardo Vicelli, Robson De Lazzari e Marcio Reinecken
  • O colunista Militão e Reinecken em uma mina de ouro
  • O fotógrafo Valterci Santos
  • Vicelli no aquário e...
  • ...numa plantação de uvas

A África do Sul é bem mais do que a Copa do Mundo. Mas é inegável que o Mundial serviu para se desmistificar um pouco o país de Nelson Man­­dela. Enquanto a bola rolava nos estádios, com os seus 64 jogos, aos poucos as oito sedes da competição foram se abrindo para o público do resto do mundo

A cultura, a história, os costumes, os mártires, o jeito de se viver por aqui. Pouco a pouco, nesta página nomeada de "Fim de Jogo" o leitor da Gazeta do Povo pode se surpreender com matérias que, antes, já haviam surpreendido os repórteres.

A mim, Marcio Reinecken, coube a maior parte da incumbência de contar essas histórias. Mas várias vezes a tarefa foi dividida com os jornalistas Carlos Eduardo Vicelli e Robson De Lazzari, além dos repórteres fotográficos Albari Rosa e Valterci Santos. Foi esse time o responsável pelo sorriso do leitor ou, outras tantas vezes, pelo silêncio que serviu para a reflexão.

Ainda não me sai da cabeça a primeira matéria escrita aqui, no dia 6 de junho. Tratava de uma vila criada apenas para cuidar de pessoas, em sua maioria crianças, portadoras do vírus HIV. Sabíamos desde antes de sair do Brasil que a estimativa era de que a cada dez sul-africanos, um está infectado. Mas eram apenas números.

Quando as estatísticas são transportadas para vida real, no entanto, é difícil de explicar. O que dirá escrever o que se sente. Ainda continuo descrevendo esse misto de emoções com a última frase daquela matéria. Nós estávamos indo embora, quando o gerente do local nos perguntou: "Não são crianças normais?". Ao que respondemos de coração: "Sim, são crianças normais."

Desde aquele dia até hoje, passaram por aqui 37 matérias, quase o mesmo número de diferentes temas. Às vezes, simples curiosidades, como as policiais que ficam diariamente escondidas atrás de árvores ou placas, com radares pré-históricos, multando os motoristas sul-africanos quase sem propósito. Afinal, por aqui, poucos pagam as multas de trânsito – até abril, elas eram julgadas junto dos crimes comuns, e normalmente arquivadas pela morosidade da Justiça.

Em boa parte, as matérias que produzimos por aqui surgiram simplesmente do fato de circularmos pelas cidades. E não apenas ficarmos naquele tradicional circuito: hotel, treino da seleção, hotel, estádio, hotel... Assim, por exemplo, foi que descobrimos a forma curiosa como vários negros sul-africanos substituem dentes bons por uma peça de ouro, como status. Ou então que cortar cabelo, aqui, é quase como engraxar sapato no Brasil. É feito na rua e não é prática apenas utilizada pela classe baixa.

Vale ressaltar uma curiosidade na produção desse tipo de textos/fotos no país da Copa. O medo é algo quase sempre presente, afinal não se conhece nada do lugar, e a fama de violência, por vezes, vimos confirmada com colegas de profissão, que foram assaltados.

Duas investidas, em especial, ser­­vem como exemplo disso, mas com facetas diferentes. A primeira, quan­­do fomos em uma feira de er­­vas zulu. Encontramos apenas u­­ma pessoa que falava inglês, nos en­­tendemos como deu até chegar al­­guém estranho, que nos falou to­­do tipo de coisas que o nosso entrevistado se negou a traduzir. Tive­­mos de sair praticamente corridos do lugar. Valeu a lição: ficar o menor tempo possível nesses lugares estranhos. A maioria das pessoas que encontramos são boas, mas a presença de um es­­trangeiro logo chama a atenção dos marginais.

Assim, quando encontramos próximo ao Ellis Park, um morro com pessoas rezando, com vestimentas estranhas, paramos o carro e ficamos a espreita. Assustados, caímos fora logo depois que vimos dois homens andando em nossa direção. Só retornamos após uma senhora nos convencer que ali não havia problema. Na verdade, naquela dia, a movimentação da reza era para pedir sorte ao Bafana Bafana. E o lugar enchia de gente, pois, na cidade, a área seria a "mais próximo do céu".

Entre o curioso e o diferente, também existe uma série de assuntos que são conhecidos de todos e, nem por isso, desinteressantes. Aí, colocamos o safári, o berço da humanidade, o artesanato, a segregação, entre outros. E talvez estes tenham sido os nossos maiores desafios. Pois foi necessário encontrar algo novo em lugares e fatos que a todo momento estavam sendo revisitados – ainda mais no período de Copa do Mundo. Não tenho como afirmar com certeza que conseguimos passar isso ao leitor, embora esperamos que sim.

Deixei esses últimos toques pa­­ra falar sobre uma matéria que me mar­­cou bastante, mesmo que te­­nha sido apenas por ter visitado o lo­­cal: Kyalami, o circuito onde Ayr­­ton Senna marcou o seu primeiro ponto na Fórmula 1. Não existia nada na pista que fizesse lembrar de Senna. A maioria dos funcionários do autódromo nem era nascidos em 1984. Mas o simples fato de se estar longe do Brasil natal, pisar na reta dos boxes e lembrar da Tolemann do brasileiro... Foi uma sensação indescritível.

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