
A contusão de Michael Ballack, pouco antes da Copa do Mundo, fez a torcida da Alemanha temer o pior. Como se comportaria a seleção mais jovem do país em todos os Mundiais (média de idade inferior a 25 anos) sem o seu principal jogador? Quatro jogos depois, e a presença nas quartas de final, não há mais com o que se preocupar: o novato Mesut Özil, de apenas 21 anos, é a nova referência dos tricampeões mundiais.
Foi do camisa 8 o gol que classificou os gêrmanicos para as oitavas, em primeiro lugar no grupo, num chutaço de fora da área, contra Gana (1 a 0). E na primeira disputa eliminatória, frente à poderosa Inglaterra, ele descolou uma assistência, caprichosa, para Müller marcar o quarto gol (4 a 1), e despachar os ingleses para casa.
Brilho individual sem contar o excelente desempenho coletivo, como o responsável por "pensar o jogo" do time do técnico Joachim Löw capaz de transformar o canhotinho em mais uma atração no clássico decisivo com a Argentina, marcado para o próximo sábado, às 11 horas, na Cidade do Cabo.
Com Lionel Messi do outro lado, Özil terá nova chance de equiparar-se às estrelas da competição, como Kaká e Cristiano Ronaldo, além do destaque do Barcelona. Confiança não lhe falta. "Para mim, tanto faz se o adversário tem dois metros de altura ou a largura de um armário. Não tenho medo de ninguém", disse o alemão, descendente de turcos, ao site da Fifa.
Os números também o credenciam. Nas estatísticas, o desempenho de Özil em solo africano pode ser comparado ao dos jogadores badalados. Em uma de suas principais qualidades, o passe, o meia teve acerto de 71% nas quatro partidas da Copa, Messi 73%, Cristiano Ronaldo 65% e Kaká 78%.
Em lançamentos, ele também tem bom aproveitamento. Nos 317 minutos em que esteve em campo, esticou 29 bolas, acertando 12 (41%). "O Löw me dá toda a liberdade no setor ofensivo. Gosto muito de jogar assim e sou muito grato ao técnico por essa oportunidade", comentou o jogador, mais uma vez ao site da Fifa.
E se alguém ainda duvida da capacidade dele, Özil tem o aval de ninguém menos que Franz Beckembauer, o maior ídolo do esporte na Alemanha e um dos grandes jogadores da história do futebol.
"Dois jogadores dessa forte equipe me impressionaram. Mesut Özil executa os chamados passes matadores como só Messi faz. Imprevisível e confundindo o adversário, mas adaptado perfeitamente aos seus companheiros de equipe. Özil só pode melhorar convertendo suas chances de gol", escreveu o Kaiser, em sua coluna para o jornal alemão Bild.
Com todas essas credenciais, e o francês Zidane como grande espelho, não será surpresa se Özil sair da posição de revelação para a de craque da Copa do Mundo.



