
A impiedosa goleada por 7 a 0 sobre a Coreia do Norte transformou Portugal. As críticas relacionas ao fraco desempenho na estreia da Copa (0 a 0 com a Costa do Marfim) foram esquecidas. O discurso para enfrentar o Brasil encorpou. Os lusos estão otimistas de que podem reprisar a atuação de gala e pregar uma peça na seleção brasileira, roubando do time de Dunga o primeiro lugar no grupo G.
"É claro que as coisas nunca são fáceis, mas com esse espírito podemos chegar. Sonhar em ser campeão todo mundo sonha", afirmou o lateral-esquerdo Duda, um dos reservas que se exercitaram ontem no gramado da Bekker High School, em Magaliesburg, pequena cidade agrícola a cerca de 70 quilômetros de Johannesburgo os titulares ficaram no hotel realizando trabalhos físicos. Duda perdeu espaço com a ascensão de Fábio Coentrão. Saiu do time. E, para ir à Copa, trocou de função: virou zagueiro. "Não gosto nem costumo falar de um colega", resumiu, quando questionado sobre o assunto.
Há uma corrente dentro de Portugal que relaciona a reviravolta repentina a uma mudança ideológica do técnico Carlos Queiroz. A equipe teria voltado a jogar bem porque optou por uma escalação genuinamente nacional, sem nenhum brasileiro naturalizado.
Liédson entrou no segundo tempo, com a partida já decidida. Deco sofre com dores na região da bacia (leia mais nesta página). Já Pepe ainda não está 100% fisicamente depois do longo tempo parado por causa de uma cirurgia no joelho, realizada em dezembro do ano passado.
"A seleção portuguesa tem de ser portuguesa. Sou contra qualquer jogador que não tenha nascido no nosso país", disse um jornalista da cidade do Porto, que pediu para não ser identificado.
Duda não confirma nem desmente o boato. Permanece sobre o muro, adotando um discurso politicamente correto. "Aqui é uma seleção, somos 23. Um grupo que rema na mesma direção", ressaltou.
O triunfo sobre os coreanos logo foi perdendo espaço para a "final" contra o Brasil. O defensor tratou de desvincular o duelo desta sexta-feira, em Durban, com o amistoso de 2008, quando os lusos foram goleados por 6 a 2 em Brasília (DF) com direito ao melhor do mundo Cristiano Ronaldo em campo.
"É outro jogo, outro momento. Aquela partida não valia nada. Aqui é o campeonato mundial e estão em discussão o primeiro e o segundo lugar da chave", comentou Duda, antes de emendar uma frase que serve para cutucar os críticos e conter um pouco o ímpeto dos mais afoitos, aqueles portugueses que já falam em título.
"Eu não sei o que acontece. Sete, oito dias atrás éramos criticados porque estávamos mal. Agora somos os melhores. Prefiro trabalhar com humildade".




