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Grupo G

Tempero genuinamente lusitano

Goleada sobre a Coreia do Norte recobrou a confiança na seleção portuguesa. Há quem veja na saída dos brasileiros a explicação

O técnico Carlos Queiroz comanda a atividade física dos jogadores de Portugal no campo acanhado de Megaliesburg: lusitanos estão otimistas em poder encarar o Brasil de igual para igual | Valterci Santos/Gazeta do Povo – enviado especial
O técnico Carlos Queiroz comanda a atividade física dos jogadores de Portugal no campo acanhado de Megaliesburg: lusitanos estão otimistas em poder encarar o Brasil de igual para igual (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo – enviado especial)
Torcida portuguesa lota as arquibancadas para assistir aos treinos dos reservas da equipe lusitana |

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Torcida portuguesa lota as arquibancadas para assistir aos treinos dos reservas da equipe lusitana

A impiedosa goleada por 7 a 0 sobre a Coreia do Norte transformou Portugal. As críticas relacionas ao fraco desempenho na estreia da Copa (0 a 0 com a Costa do Marfim) foram esquecidas. O discurso para enfrentar o Brasil encorpou. Os lusos estão otimistas de que podem reprisar a atuação de gala e pregar uma peça na seleção brasileira, roubando do time de Dunga o primeiro lugar no grupo G.

"É claro que as coisas nunca são fáceis, mas com esse espírito podemos chegar. Sonhar em ser campeão todo mundo sonha", afirmou o lateral-esquerdo Du­­da, um dos reservas que se exercitaram ontem no gramado da Bekker High School, em Maga­­liesburg, pequena cidade agrícola a cerca de 70 quilômetros de Johannesburgo – os titulares ficaram no hotel realizando trabalhos físicos. Duda perdeu espaço com a ascensão de Fábio Coentrão. Saiu do time. E, para ir à Copa, trocou de função: vi­­­rou zagueiro. "Não gosto nem costumo falar de um colega", resumiu, quando questionado sobre o assunto.

Há uma corrente dentro de Portugal que relaciona a reviravolta repentina a uma mudança ideológica do técnico Carlos Quei­­roz. A equipe teria voltado a jogar bem porque optou por uma escalação genuinamente nacional, sem nenhum brasileiro naturalizado.

Liédson entrou no segundo tempo, com a partida já decidida. Deco sofre com dores na região da bacia (leia mais nesta página). Já Pepe ainda não está 100% fisicamente depois do longo tempo parado por causa de uma cirurgia no joelho, realizada em dezembro do ano passado.

"A seleção portuguesa tem de ser portuguesa. Sou contra qual­­quer jogador que não tenha nascido no nosso país", disse um jornalista da cidade do Porto, que pediu para não ser identificado.

Duda não confirma nem desmente o boato. Permanece so­­bre o muro, adotando um dis­­cur­­so politicamente correto. "Aqui é uma seleção, somos 23. Um grupo que rema na mesma direção", ressaltou.

O triunfo sobre os coreanos logo foi perdendo espaço para a "final" contra o Brasil. O defensor tratou de desvincular o duelo desta sexta-feira, em Durban, com o amistoso de 2008, quando os lusos foram goleados por 6 a 2 em Brasília (DF) – com direito ao melhor do mundo Cristia­­no Ronaldo em campo.

"É outro jogo, outro momento. Aquela partida não valia na­­da. Aqui é o campeonato mundial e estão em discussão o primeiro e o segundo lugar da cha­­ve", comentou Duda, antes de emendar uma frase que serve para cutucar os críticos – e conter um pouco o ímpeto dos mais afoitos, aqueles portugueses que já falam em título.

"Eu não sei o que acontece. Se­­te, oito dias atrás éramos criticados porque estávamos mal. Agora somos os melhores. Pre­­firo trabalhar com humildade".

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