
A língua não será o único ponto em comum no confronto de sábado, em Johannesburgo, entre Espanha e Paraguai, pelas quartas de final da Copa. As duas seleções também concordam que o favoritismo para passar à semifinal do Mundial está do lado espanhol.
Após uma primeira fase preocupante, em que foi derrotada pela Suíça na estreia, a Fúria começou a mostrar sua força a partir da terceira partida do grupo H, com a vitória por 2 a 1 sobre o Chile. Terça-feira, contra Portugal, pelas oitavas de final, a equipe do técnico Vicente del Bosque voltou a mostrar sua força, vencendo por 1 a 0. A apresentação contra os lusitanos agradou, inclusive, o treinador antecessor, Luis Aragonéz, que comandou a equipe na conquista da Eurocopa 2008 e vinha criticando a Fúria pelo futebol fraco.
"Até que enfim vimos a Espanha de antes. No segundo tempo [contra Portugal], tivemos toque de bola e profundidade", disse Aragonéz.
As palavras de Aragonéz e a apresentação da Espanha por si só também inflaram o discurso dos jogadores para o jogo das quartas de final. Eleito pela Fifa o melhor em campo na vitória sobre Portugal, o volante Xavi não faz questão de esconder que acredita no favoritismo da Espanha. Contra o Paraguai, o jogador do Barcelona afirma que a posse de bola espanhola fará a diferença. "O Paraguai é um time perigoso, mas somos os favoritos. E temos de demonstrar o favoritismo em campo e priorizar o toque de bola, até que os espaços apareçam", diz o volante.
Mas o mesmo favoritismo que embala a seleção europeia pode ser a principal arma da equipe sul-americana. Ao ponto de o Paraguai admitir sim superioridade espanhola, mas sem medo.
Pela primeira vez entre os oito primeiros colocados no quinto Mundial que disputa, o técnico da seleção guarani, o argentino Gerardo Martino, já considera o objetivo da equipe conquistado. Daqui para frente, o treinador sabe que enfrentará rivais muito mais poderosos do que os da primeira fase e o Japão, adversário das oitavas. Por isso o favoritismo espanhol causa efeito positivo no Paraguai.
"Nas quatro partidas em que jogamos, em três éramos os protagonistas [exceção à estreia com a Itália]. Tínhamos de atuar de uma forma que não é nossa característica, deixando os contra-ataques para nossos adversários", disse Martino, que espera ter mais espaços para usar a velocidade dos atacantes contra a Espanha.
O treinador não esconde que atuará nos erros dos espanhóis. "A Espanha sempre busca o ataque. Com isso, deixa buracos, que deverão ser ocupados por nós", avalia. Mas o comandante paraguaio já alertou a equipe para não cometer os mesmos erros de finalização da partida contra o Japão. "Qualquer falha será fatal", diz.
Martino estuda a possibilidade de colocar desde o começo do jogo o atacante Cardozo, que converteu o último pênalti nas oitavas. O atleta está recuperado de uma lesão no tornozelo esquerdo.



