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fase final

Todo favoritismo da fúria

Espanha e Paraguai concordam que a equipe europeia tem mais chances de ir à semifinal, mas guaranis esperam tirar proveito de ir a campo como franco-atiradores

Gerardo Martino, técnico do Paraguai, em conversa com o meia Santana: guaranis reconhecem superioridade espanhola, mas não temem o adversário | Juan Mabrota/ AFP
Gerardo Martino, técnico do Paraguai, em conversa com o meia Santana: guaranis reconhecem superioridade espanhola, mas não temem o adversário (Foto: Juan Mabrota/ AFP)

A língua não será o único ponto em comum no confronto de sá­­bado, em Johannesburgo, entre Espanha e Paraguai, pelas quartas de final da Copa. As duas seleções também concordam que o favoritismo para passar à semifinal do Mundial está do lado espanhol.

Após uma primeira fase preocupante, em que foi derrotada pe­­la Suíça na estreia, a Fúria co­­meçou a mostrar sua força a partir da terceira partida do grupo H, com a vitória por 2 a 1 sobre o Chile. Terça-feira, contra Por­­tu­­gal, pelas oitavas de final, a equipe do técnico Vicente del Bosque voltou a mostrar sua força, vencendo por 1 a 0. A apresentação contra os lusitanos agradou, inclusive, o treinador antecessor, Luis Aragonéz, que comandou a equipe na conquista da Eurocopa 2008 e vinha criticando a Fúria pelo futebol fraco.

"Até que enfim vimos a Es­­panha de antes. No segundo tem­­po [contra Portugal], tivemos toque de bola e profundidade", disse Aragonéz.

As palavras de Aragonéz e a apresentação da Espanha por si só também inflaram o discurso dos jogadores para o jogo das quartas de final. Eleito pela Fifa o melhor em campo na vitória sobre Portugal, o volante Xavi não faz questão de esconder que acredita no favoritismo da Espanha. Contra o Paraguai, o jogador do Barcelona afirma que a posse de bola espanhola fará a diferença. "O Paraguai é um time perigoso, mas somos os favoritos. E temos de demonstrar o fa­­voritismo em campo e priorizar o toque de bola, até que os espaços apareçam", diz o volante.

Mas o mesmo favoritismo que embala a seleção europeia pode ser a principal arma da equipe sul-americana. Ao ponto de o Paraguai admitir sim superioridade espanhola, mas sem medo.

Pela primeira vez entre os oito primeiros colocados no quinto Mundial que disputa, o técnico da seleção guarani, o argentino Gerardo Martino, já considera o objetivo da equi­­pe conquistado. Daqui para frente, o treinador sabe que enfrentará rivais muito mais poderosos do que os da primeira fase e o Japão, adversário das oitavas. Por isso o favoritismo espanhol causa efeito positivo no Paraguai.

"Nas quatro partidas em que jogamos, em três éramos os protagonistas [exceção à estreia com a Itália]. Tínhamos de atuar de uma forma que não é nossa característica, dei­­xando os contra-ataques para nossos adversários", disse Martino, que espera ter mais espaços para usar a velocidade dos atacantes contra a Espanha.

O treinador não esconde que atuará nos erros dos espanhóis. "A Espanha sempre bus­­ca o ataque. Com isso, deixa buracos, que deverão ser ocupados por nós", avalia. Mas o comandante paraguaio já alertou a equipe para não cometer os mesmos erros de finalização da partida contra o Japão. "Qualquer falha será fatal", diz.

Martino estuda a possibilidade de colocar desde o começo do jogo o atacante Cardozo, que converteu o último pê­­nalti nas oitavas. O atleta está recuperado de uma lesão no tornozelo esquerdo.

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