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Uruguai cala as vuvuzelas

África do Sul perde em dia que país celebra data marcante contra o apartheid. “O estádio emudeceu. Foi incrível’’, disse o zagueiro da Celeste Diego Godín

Abraço da festa uruguaia contrasta com a decepção e a tristeza da solidão sul-africana: derrota pode custar a eliminação precoce do time da casa | Gabriel Bouys/ AFP
Abraço da festa uruguaia contrasta com a decepção e a tristeza da solidão sul-africana: derrota pode custar a eliminação precoce do time da casa (Foto: Gabriel Bouys/ AFP)
Veja a ficha técnica do jogo Uruguai X África do Sul |

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Veja a ficha técnica do jogo Uruguai X África do Sul

A África do Sul já tem o seu Mara­­canazo. Três gols uruguaios silenciaram ontem o Loftus Versfeld, em Pretória, uma espécie de Ma­­racanã do rúgbi sul-africano, temporariamente convertido em estádio de futebol. Ainda que por apenas alguns segundos, nenhuma vuvuzela podia ser ouvida nas arquibancadas.

O desastre veio numa das datas mais significativas para o país, o aniversário de 34 anos do levante de estudantes em Soweto, feriado nacional, considerado o começo do fim do apartheid.

A derrota deixa a equipe muito perto de ser a primeira anfitriã a não passar para a segunda fase de uma Copa.

A África do Sul primeiro torce por um empate hoje entre França e México. Depois, precisa ganhar da França no dia 22, em Bloem­­fontein, e esperar que os mexicanos não ganhem dos uruguaios.

Já o Uruguai tem situação bem mais tranquila. Além de ter quatro pontos, acumulou bom saldo de gols, primeiro critério de desempate.

Embora a posse de bola tenha ficado rigorosamente em 50% para cada equipe, o Uruguai foi bem mais objetivo: chutou 19 ve­­zes a gol, contra 10 da África do Sul.

Com forte esquema de marcação, dificultou muito o ataque sul-africano, que se resumia a tentativas do meia-atacante Pienaar.

O primeiro tempo seguiu amarrado até o chute de fora da área de Forlán, aos 24 minutos. O goleiro Khu­­ne fez golpe de vista, mas a bola entrou.

"No primeiro gol, o estádio emudeceu. Foi incrível’’, disse o za­­gueiro Diego Godín.

Mesmo atrás no marcador, os Bafana Bafana eram tímidos ao atacar. Sua melhor chance veio apenas aos 22 minutos do segundo tempo, numa cabeçada de Mphela.

À medida que o tempo passava, o zumbido das vuvuzelas ia ficando mais baixo. Na metade do segundo tempo, já era possível conversar nas arquibancadas quase sem gritar. "É difícil para eles porque o país todo [estava] empurrando’’, afirmou o volante Diego Perez.

Aos 35 minutos, com o pênalti convertido por Forlán, novamente o Loftus se calou. As arquibancadas coloridas de amarelo foram dando lugar ao azul das cadeiras, conforme o estádio foi esvaziando.

Grande parte dos 42.658 pagantes já não estava lá quando Pereira fez o último gol, nos acréscimos.

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