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fase final

Vingança do apito amigo

Árbitro e bandeira uruguaios não veem gol de Lampard, minam reação inglesa e Alemanha atropela no principal confronto das oitavas de final

Müller completa a jogada em velocidade de Özil para marcar o quarto gol da Alemanha e matar a Inglaterra. Contra-ataque germânico foi fatal para assegurar a vitória no segundo tempo | Dylan Martinez/Reuters
Müller completa a jogada em velocidade de Özil para marcar o quarto gol da Alemanha e matar a Inglaterra. Contra-ataque germânico foi fatal para assegurar a vitória no segundo tempo (Foto: Dylan Martinez/Reuters)
Após o jogo, o goleiro alemão Neuer admitiu ter visto a bola entrar. Se não tivesse feito isso, seria desmentido pela foto |

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Após o jogo, o goleiro alemão Neuer admitiu ter visto a bola entrar. Se não tivesse feito isso, seria desmentido pela foto

Veja a ficha técnica do jogo Alemanha X Inglaterra |

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Veja a ficha técnica do jogo Alemanha X Inglaterra

O primeiro erro escandaloso de arbitragem de ontem ocorreu aos 37 minutos do grande duelo das oitavas de final, entre Alemanha e Inglaterra. Os alemães venciam por 2 a 1 quando Lampard marcou um belo gol por cobertura. A bola tocou no tra­­vessão e caiu quase meio me­­tro atrás da linha. Inexpli­­ca­­vel­mente, o árbitro Jorge Larrionda e o bandeira Maurício Espinosa, ambos uruguaios, mandaram o jogo seguir. No segundo tempo, com os ingleses abertos, a jovem equipe alemã deu uma aula de como contra-atacar.

Um gostinho de vingança para uma seleção que há mais de quatro décadas foi prejudicada em um lance similar. No dia 30 de julho de 1966, a bola do inglês Hurst tocou no travessão e em cima da linha. Não entrou, mas o árbitro suíço Gottfried Dienst deu o gol. Após o empate por 2 a 2 no tempo normal, a seleção anfitriã do Mundial ficava em vantagem na prorrogação da final, que terminaria 4 a 2.

"O bandeirinha cometeu um erro inacreditável. Matou o jogo porque os alemães puderam seguir no contragolpe, algo que fazem muito bem. O erro arruinou tudo. Quando marcamos os dois gols, os alemães estavam sofrendo", lamentou o italiano Fabio Capello, técnico da In­­glaterra.

Nem os alemães puderam fugir do óbvio: a bola entrou. O lateral-direito Lahm, por exemplo, abusou da sinceridade ao falar sobre o uso de recursos eletrônicos: "Estamos felizes por essa tecnologia não ter sido usada hoje. Mas sou totalmente a favor, pois há lances muito importantes que podem ser alterados."

O telão vinha mostrando os replays das jogadas. Como não exibiu novamente essa, ficou claro que a arbitragem havia errado e as vaias da maioria inglesa tomaram conta do estádio.

Justiça seja feita, a Alemanha foi melhor durante quase toda a partida. O próprio Lahm, apesar de reconhecer que o lance poderia mudar as coisas, lembrou aos ingleses a superioridade de seu time. "Talvez eles não tenham se preparado bem para a partida, por sermos uma equipe jovem e sem tantos atletas famosos."

O esquema 4-2-3-1 engoliu o 4-4-2 inglês na primeira meia-hora. No meio de campo, os vo­­lantes Khedira e Schweinsteiger marcam e sabem jogar. Espe­­cialmente o segundo, que tomou o controle do setor. Com a velocidade de Müller, pela direita, Özil, se movimentando pelos dois lados, e Podolski, pela esquerda, a Inglaterra via uma avalanche ofensiva sobre a sua defesa.

O artilheiro Klose abriu o placar e Podolski ampliou após bela troca de passes. Mas o zagueiro Upson diminuiu, a jovem equipe alemã sentiu e o English Team cresceu. Então veio o polêmico lance.

Com a vantagem mantida, o técnico Joachim Löw teve chance de reorganizar o time no intervalo. "Eu disse que precisávamos ten­­tar marcar o terceiro. Sa­­bía­­mos que poderíamos matar a Inglaterra no contra-ataque, porque estavam muito abertos", contou. Dito e feito. Em uma verdadeira aula sobre a jogada símbolo do futebol moderno, Müller apareceu duas vezes na cara do goleiro James e consolidou a goleada.

Os ingleses ainda foram para cima, desordenados. Mas conseguiriam no máximo o segundo gol. Seria a ironia perfeita, 44 anos depois do famoso 4 a 2 em Wembley.

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