
- Enfim, vai ter Copa
- Com nova engenharia financeira, Governo garante sobrevida da Arena
- Comitiva faz mea-culpa e agradece por nova chance da Fifa
- "Curitiba vai reafirmar sua referência em fazer bem feito", avisa Fruet
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Questão central na reconfirmação da Copa do Mundo em Curitiba, a Arena ficou curiosamente em segundo plano ontem. Com o anúncio oficial do secretário Jérôme Valcke marcado para Florianópolis e a profusão de boatos antecipando o "ok" da Fifa, a visita do consultor de estádios Charles Botta ao reduto atleticano foi mais formal do que decisiva.
INFOGRÁFICO: Confira o histórico da obra
SLIDESHOW: Confira imagens da vistoria da Fifa na Arena da Baixada
A definição pró-Curitiba teria sido adiantada ao governador Beto Richa por telefone na noite de segunda-feira. Fontes ligadas ao Palácio Iguaçu vazaram a notícia e esvaziaram parte da expectativa. Ontem, o primeiro compromisso da comitiva da entidade máxima do futebol foi uma reunião com o prefeito Gustavo Fruet. Não sem antes encarar o trânsito pesado da cidade, agravado pela chuva intermitente, e um susto ao ficar por cerca de cinco minutos presa no elevador da prefeitura.
A agenda atrasou em 1h26 a chegada à Arena, que desde cedo tinha os arredores ocupados pela imprensa local. Ao contrário da segunda-feira, quando vários jornalistas estrangeiros passaram pela sede então ainda ameaça de exclusão antes de seguir para o congresso técnico da Fifa na capital catarinense, ontem apenas um jornalista inglês e uma tevê australiana aguardavam a visita.
Também por causa do clima, os operários precisaram fazer ainda mais reparos de última hora para esconder os buracos, poças de água e barro no acesso ao estádio localizado na Brasílio Itiberê este também com obras intensas. Menos de dez minutos antes da chegada da van com a comitiva, britas eram colocadas por um trator e espalhadas às pressas por funcionários.
Com os vidros fechados, o veículo entrou direto passando pela rampa de acesso ao subsolo do estádio. Os primeiros a saírem foram o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, e o secretário estadual de Copa, Mario Celso Cunha.
Logo depois, com o inspetor ainda no estádio, a sequência de Curitiba no Mundial de 2014 era confirmada pela prefeitura, antes mesmo do anúncio da entrevista atrasada de Valcke em Florianópolis. A notícia já era replicada mundialmente quando Charles Botta deixou o palco da Copa, 3h35 minutos depois, da mesma forma que entrou: rápido e em silêncio.
Não houve mobilização pública no estádio. À tarde, em frente à prefeitura, menos de dez pessoas exibiam cartazes contra os gastos públicos com a Copa. Horas depois, um protesto reuniu 60 pessoas na Boca Maldita.
Apenas a dona de casa Maria Neusa Rosas, de 62 anos, toda vestida de verde e amarelo e usando uma sombrinha nos mesmos tons, foi ao estádio. "Vim torcer pela nossa Copa. Nem tenho ingresso. Vou ficar torcendo aqui de fora mesmo. Me contento com pouco", disse, satisfeita com o decreto final da Copa em Curitiba.
Fala, leitor!
"Política do pão e circo."
Christian Michel.
"Parabéns ao Paraná, parabéns a Curitiba. Essa linda cidade não merecia ficar fora da Copa."
Dirceu Gabriel Merlin.
"Até agora, 2 bilhões de reais gastos, transtornos, obras inacabadas (algumas faraônicas), mais gastos na sequência, jogos inexpressivos e quem paga a conta? O povão! De novo."
Wilson Schneider Amaral.
"Para a Fifa é cômodo que não haja mudanças de última hora em locais e datas de jogos. Se as garantias que foram oferecidas à entidade a deixaram satisfeita, ela está pouco se importando com a imagem da cidade. Mas haverá desdobramentos após esta decisão."
Acir João Cardozo.
"Depois de tudo que foi feito e falado e até documentado, resta ver o resultado. Resta também ver qual a postura dos Tribunais de Conta do Estado e da União com relação à aplicação dos recursos. Acho que não vai acontecer nada. O que querem mesmo é Copa, cerveja liberada nos estádios e festa se o Brasil for campeão."
José Alberto.
"Quero ver daqui para a frente o governo dizer que não tem fundos para saúde, segurança, educação e outros investimentos. A cidade está sucateada e os R$ 65 milhões a mais na Arena já são palanque político. Estão investindo para assegurar votos, uma eleição não pode ser feita só de atleticanos e é isso que o bando está achando."
Léo J. Martins.



















