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A organização no futebol local e um planejamento sério a longo prazo ajudam a explicar a presença da Alemanha na final da Copa. Já o êxito da Argentina no Mundial não pode ser ligado ao que acontece fora de campo no país. Os hermanos sofrem com clubes empobrecidos, êxodo de jogadores e violência crescente nos estádios.

No topo da pirâmide do futebol argentino está Julio Grondona, presidente da associação nacional da modalidade e uma espécie de coronel. O dirigente está no comando da AFA há 35 anos. São nove mandatos e somente uma vez ele teve concorrência na disputa pelo cargo. Além disso, é um dos vice-presidentes e considerado do alto escalão da Fifa.

As gestões são marcadas por denúncias de corrupção contra ele e contra aliados. A última polêmica veio durante a Copa. Seu filho, Humberto Grondona, teve de se explicar por causa de um suposto envolvimento em uma rede de revenda ilegal de ingressos do Mundial. Um tíquete no nome dele foi encontrado com cambistas.

Humberto foi colocado pelo pai como técnico da seleção sub-20 do país, uma peça chave na organização do futebol de base na Argentina. No entanto, não há investimento pesado no desenvolvimento dos jovens. Basicamente, o "projeto" consiste em esperar pelo surgimento espontâneo dos talentos nas ruas.

Os mais promissores saem cada vez mais cedo do país. Desde 2011, a Argentina é a nação que mais exporta jogadores. De acordo com estudo da Euromericas Sport Marketing, 2.576 atletas saíram do futebol local na última temporada. O Brasil é o segundo na lista, com 1.734.

A venda dos mais promissores é fonte de renda para clubes que enfrentam crises financeiras graves. Os times pequenos não crescem e os grandes encolhem. Nos últimos anos, River Plate, Independiente e Argentinos Junior foram rebaixados. A partir de 2015, o Campeonato Argentino será disputado por 30 e não mais 20 clubes, uma forma de preservar as equipes de tradição na elite.

A baixa qualidade técnica dos jogos desanima muitas pessoas a irem aos estádios. Mas o que vem afastando os apaixonados é a violência. Cada vez mais, as praças esportivas estão dominadas pelos barra-bravas, os torcedores organizados. No ano passado, foram 14 mortes nas praças esportivas do país. Um cenário triste que será mascarado em parte em caso de título mundial da Argentina no Maracanã.

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