Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Semifinal

Brasil e Alemanha duelam com almas trocadas

Uma Alemanha com futebol brasileiro, de toque de passes, e um Brasil com espírito germânico, baseado na força física, medem forças por uma vaga na final do Mundial

Alemães treinam no Mineirão: placar anuncia o duelo dos campeões mundiais | Eddie Keogh/ Reuters
Alemães treinam no Mineirão: placar anuncia o duelo dos campeões mundiais (Foto: Eddie Keogh/ Reuters)

Um Brasil alemão e uma Alemanha brasileira decidem o primeiro finalista da Copa 2014. O caminho das duas seleções até o Mineirão indica que os pentacampeões incorporaram a disciplina tática, o jogo físico e a bola alta sempre associados aos germânicos. E que a equipe mais presente entre os quatro melhores do Mundial tomou gosto pela troca de passes, a posse de bola e a penetração na área inimiga que fizeram a fama do país do futebol.

A marcação é a principal virtude do Brasil de Felipão. Uma marca incorporada por Oscar. Camisa 11 e herdeiro técnico de Neymar, o meia do Chelsea é o rei dos desarmes no torneio. São 30 roubadas de bola, normalmente com carrinhos que têm deixado suas pernas quase em carne viva ao fim de cada batalha.

Quando o desarme falha, a seleção brasileira não tem vergonha de parar o jogo com faltas. O time cometeu 96 infrações e tomou dez amarelos. É o time que mais bate e o mais indisciplinado. É, também, aquele que mais apanha (94 faltas sofridas). Por consequência, suas partidas são as mais faltosas: 39 em média. Pouco perto das batalhas contra Colômbia e Chile, as mais violentas do torneio, com 54 e 51 paralisações, respectivamente. Muito diante das 27 infrações por partida dos alemães.

"O último jogo do Brasil foi uma luta. Muitas faltas e apenas 39 minutos de bola rolando. Desse jeito, não teremos mais Neymar, Messi etc. Somente jogadores que entram para destruir", criticou o técnico alemão Joachim Löw.

Um ponto de vista oposto ao de Felipão. Para o gaúcho, mesmo sem encantar, o Brasil vem chegando. "Estamos indo passo a passo. Não de forma muito bonita, linda, mas caminhando. Falta mais um degrau para atingirmos o patamar que queríamos, de jogar uma final de Copa em casa", reconheceu Scolari.

Um futebol feio, porém eficiente. Com 53,5% de posse de bola (11.° no torneio) e 81,1% de acerto de passe (81,1%), o Brasil é o quarto time que mais finaliza: 80 arremates. Mais do que a Alemanha.

À frente da seleção desde o fim da Copa de 2006, Löw implanta um estilo de posse de bola, quase um Barcelona (ou Bayern) de Guardiola. Os alemães lideram os rankings de passes (3.577 toques) e estão em terceiro no acerto deste fundamento (86,7%) e na posse de bola (60,7%). Domínio que produziu, em 74 finalizações, os mesmos 11 gols que o Brasil.

Parte da explicação está na maneira como a Alemanha gosta de atacar a meta inimiga. Todos os seus gols foram de dentro da área. Nove com os pés. Apenas dois de cabeça. Arma histórica dos alemães (são 43 gols dessa maneira em Mundiais) que o Brasil tomou para si. Vide os gols contra o Chile e Colômbia: bola alta, casquinha no primeiro pau e finalização no segundo.

"É um Brasil de jogo angustiado e febril, em que os zagueiros se convertem nos pilares que governam sua própria área e se sentem com autoridade para conquistar a área contrária", definiu o ex-jogador argentino Jorge Valdano, campeão mundial em 1986, ao jornal El País, da Espanha. Em outras palavras, um Brasil mais alemão que a própria Alemanha.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.