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Oitavas

Cenário adverso

Diferente dos três primeiros jogos quando metade da torcida era a favor, argentinos serão minoria no Itaquerão, hoje, diante da Suíça. Brasileiros irão torcer pela desclassificação dos vizinhos

Mascherano, Lavezzi e Messi (da esq. para a dir.) batem bola durante o reconhecimento do Itaquerão, onde a maioria da torcida será adversária | Peter Klaunzer/ EFE
Mascherano, Lavezzi e Messi (da esq. para a dir.) batem bola durante o reconhecimento do Itaquerão, onde a maioria da torcida será adversária (Foto: Peter Klaunzer/ EFE)

Pela primeira vez nesta Copa, a Argentina vai se sentir, de fato, no Brasil. Até agora, em três jogos, os hermanos só encontraram estádios com as arquibancadas nas cores alvicelestes e gritos de apoio. Parecia até que jogavam em Buenos Aires. Foi assim no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Porto Alegre contra Bósnia, Irã e Nigéria, respectivamente. Mas não será assim hoje em São Paulo, quando enfrenta a Suíça pelas oitavas de final, às 13 horas, no Itaquerão. Messi e companhia encontrarão um ambiente hostil.

INFOGRÁFICO: Veja informações sobre este duelo

A Fifa informou que, dos 65.807 ingressos disponíveis para a partida, cerca de 7,5 mil (12%) foram adquiridos por torcedores argentinos. O número, claro, pode aumentar na base do comércio paralelo. Há ‘hinchas’ pagando 1,5 mil dólares pelo tíquete para assistir à partida.

Uma realidade bem diferente da primeira fase. Na estreia contra a Bósnia, no Maracanã, cerca de 30 mil dos 74.738 eram argentinos. No Mineirão e em Porto Alegre, praticamente metade do estádio era de torcedores vestindo alviceleste.

Essa redução radical vai espremer os hermanos no Itaquerão. O vermelho da Suíça vai se misturar ao verde e amarelo num grito só: que a Argentina volte para casa desclassificada. É o que espera o técnico da seleção europeia, Ottmar Hitzfeld. "Acredito que os torcedores do Brasil vão apoiar a Suíça. A rivalidade é muito grande com a Argentina", disse.

Segurança

Um cenário que deixa em alerta as forças de segurança. Dentro dos estádios, o convívio entre brasileiros e argentinos não tem sido muito amigável. As provocações têm sido recorrentes e por isso todo cuidado é prudente, afinal a tensão da partida pode desencadear reações desmedidas.

"Até agora nós tivemos muita torcida em Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, mas as coisas podem mudar. O mais importante é que exista um bom comportamento do público e que tudo seja em paz", pediu o técnico argentino, Alejandro Sabella.

A preocupação maior, porém, não é com o público dentro do Itaquerão. De acordo com o consulado do país vizinho, são esperados cerca de 60 mil argentinos hoje em São Paulo. A maioria, claro, sem ingresso. Por isso, o bloqueio ao redor do estádio será aumentado e ninguém chegará a menos de três quilômetros sem bilhete em mãos.

A segurança também será reforçada em locais públicos onde são esperadas multidões de argentinos. Nas três cidades por onde a Argentina passou houve registros de confrontos, o mais significativo em Belo Horizonte.

A tentativa da prefeitura de São Paulo é levar a massa de sem-ingressos para o mais longe possível da concentração de brasileiros, como na Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. Tanto que ‘cedeu’ o Sambódromo e o circuito de Interlagos para que os argentinos montem uma espécie de quartel-general. Desde domingo, trailers e carros têm se instalado nas duas regiões. De brinde, telões para acompanhar a partida de hoje. Longe do estádio e, se possível, da confusão.

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