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Oitavas

Coração na mão

Em jogo tenso, Argentina evita a disputa de pênaltis com gol tardio de Di María na prorrogação. Messi admite medo de eliminação e nervosismo. “Tivemos sorte”, resume

Di María aproveitou o belo passe de Messi para encerrar o sufoco argentino | Sebastião Moreira/EFE
Di María aproveitou o belo passe de Messi para encerrar o sufoco argentino (Foto: Sebastião Moreira/EFE)

A classificação da Argentina para as quartas de final, por muito pouco, não foi decidida nos pênaltis. Era o caminho que se desenhava até os 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, ontem, no Itaquerão, em São Paulo. Nada dava certo para os hermanos.

Foi quando Messi, já castigado pelo cansaço, encontrou forças para mais uma arrancada. Apareceu no meio do sistema defensivo europeu e entregou a bola no jeito para Di María anotar a vitória sobre a Suíça, por 1 a 0, e colocar os argentinos entre os oito melhores do planeta. No sábado, vão enfrentar os belgas, às 13 horas, no Estádio Nacional de Brasília.

O sofrimento dos sul-americanos, porém, não tinha acabado com a bola na rede. O martírio teve uma dose extra poucos minutos depois. Por alguns instantes, os argentinos prenderam a respiração, vendo a cabeçada de Dzemaili – que empurraria a decisão para as penalidades máximas – encontrar a trave direita do goleiro Romero, voltar a bater nas pernas do suíço e sair.

"Fiquei nervoso porque não conseguíamos marcar [os gols] e naquele momento qualquer erro poderia significar a nossa eliminação. Não queríamos os pênaltis", reconheceu Messi, que mais uma vez foi decisivo, assim como ocorreu nos três jogos da primeira fase. Até pelos antecedentes, foi eleito o melhor da partida. Rechaçou o prêmio: "Não sei se mereço isso", declarou, antes de resumir a partida. "Foi muito sofrimento. Mas assim é o futebol e tivemos a sorte do nosso lado."

Nas palavras do técnico Alejandro Sabella, a partida foi "estressante". Verdade refletida na torcida. Os hinchas que haviam ensurdecido o Itaquerão – mesmo sendo minoria no estádio – ficaram mudos durante o tempo extra. Só reagiam colocando as mãos sobre a cabeça a cada investida adversária. A tensão, ainda mais com uma Suíça melhor nos 30 minutos finais, era nítida. Só depois do último lance, quando Shaqiri bateu uma falta da meia-lua na barreira adversária, os argentinos gritaram aliviados.

"Certamente ganhar é o mais importante. O mundo todo está dizendo que a única coisa que importa é a vitória. Mas não se vence por acaso, vencemos porque temos bons jogadores", avaliou Sabella. "Que bom que vencemos e tomara que possamos seguir nesse caminho. E que só termine depois de uma vitória no dia 13 [de julho]", projetou o autor do gol da vitória, Di María, que comemorou fazendo um coração com as mãos para a mulher e a filha, que estavam nas arquibancadas. "Minha mulher e minha filha devem estar orgulhosas de mim", contou, emocionado. No ano passado, o meia passou por momentos difíceis com o nascimento prematuro de Mía, com apenas seis meses de gestação. Ela teve complicações após o parto e foi parar na UTI.

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