
Curitiba e região metropolitana poderiam ter recebido neste ano quase R$ 1 bilhão em investimentos em mobilidade urbana. Esse é o valor atualizado de projetos que foram abandonados pelo caminho, adiados ou diminuídos para serem entregues a tempo do Mundial. Sem contar o metrô, que chegou a ser prometido como legado da Copa, mas que ficará pronto apenas em 2019. Entre as obras mantidas na Matriz de Responsabilidades da Copa e que devem ser inauguradas até o início do evento, o investimento foi de R$ 418,5 milhões.
INFOGRÁFICO: Conheça as obras realizadas em Curitiba em razão da Copa do Mundo
O dossiê Copa do Mundo e Violações de Direitos Humanos em Curitiba, do Comitê Popular da Copa órgão coordenado pelo Instituto Ambiens de Educação, Pesquisa e Planejamento , já havia mostrado que as obras mantidas no planejamento da Copa estão em um corredor de interesse do evento, diferentemente daquelas do planejamento inicial que, segundo palavras do próprio documento, tinham "repercussão metropolitana".
Para Olga Lucia Firkowski, professora do departamento de Geografia da UFPR, houve uma inversão de prioridades. "As obras foram sendo retiradas do planejamento porque não ficariam prontas a tempo. Eram obras que davam sentido à mobilização de recursos, trariam ganhos para o conjunto da cidade", crítica a especialista, que cita o projeto do metrô como exemplo dessa mudança. "Se me dissessem 'a gente vai ter o metrô [com a Copa]'. Eu diria 'então está bom'. Mas a autorização para o lançamento do edital foi esses dias. Aquilo não era verdadeiro."
Uma das críticas do dossiê se refere à reforma da rodoviária, classificada como um "legado morto" em razão da localização do prédio no centro de Curitiba. "A Rodoviária realmente estava péssima, mas ela está numa área central. Está melhor hoje, mas a questão é: com que fôlego, por quanto tempo ela vai responder às demandas? Vivemos entre fazer remendos e pensar de forma mais arrojada no futuro".
A prefeitura diz que o projeto do metrô avançou nesses últimos cinco anos período entre a promessa de que ele ficaria pronto para a Copa e o pontapé inicial do evento. Segundo a gestão Gustavo Fruet (PDT), a proposta inicial tinha custos subestimados e agora há recursos garantidos para que ela saia do papel, além de uma modelagem de licitação que garantirá o compromisso do consórcio executor com os prazos estabelecidos. Quando da candidatura de Curitiba como sede da Copa, o metrô foi estimado em pouco mais de R$ 2 bilhões. Agora, estima-se que o trecho de 17,6 Km da primeira fase custará R$ 4,5 bilhões.
Sobre a reforma da rodoviária, a prefeitura disse que o projeto foi herdado da gestão anterior, mas que era necessário pela idade do prédio, da década de 1970. Apesar disso, a prefeitura diz que há discussões internas sobre a construção de um terminal fora da região central.
Colaborou Marcela Campos



