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Política

Central do lobby

Embaixada da Bola”, mansão em região nobre da capital federal, é o símbolo da relação promíscua entre políticos e cartolas, sobretudo na era Teixeira

Mansão no Lago Sul, a região nobre de Brasília, ajuda a CBF a ganhar adesão de políticos | Albari Rosa
Mansão no Lago Sul, a região nobre de Brasília, ajuda a CBF a ganhar adesão de políticos (Foto: Albari Rosa)

Uma mansão com piscina e campo de futebol no Lago Sul, protegida por uma grossa corrente e um cadeado novo, guarda as memórias de um tempo em que futebol e política tiveram o auge da relação em Brasília. Mantida pela CBF até o começo dos anos 2000, a "Embaixada da Bola" funcionou como central do lobby em tempos de votação da Lei Pelé (1997) e de duas Comissões Parlamentares de Inquérito que apuraram desvios cometidos pela confederação (entre 2000 e 2001). Hoje, passa quase o dia todo fechada. Tranquilidade rompida por ruidosos, porém esporádicos, eventos noturnos.

Toda terça-feira, o local abrigava peladas entre políticos, assessores parlamentares e cartolas, com direito a churrasco e shows de cantores famosos. A descontração fortalecia o vínculo do então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, com a famosa "bancada da bola", liderada pelo ex-deputado federal e ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda.

A notoriedade, por outro lado, tornou o lugar alvo das investigações da CPI CBF/Nike, que teve como presidente o atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo. No relatório final da comissão, o ex-deputado Silvio Torres (PSDB-SP) destaca que os gastos com a mansão, entre 1998 e 2000, ficaram em R$ 1,4 milhão (R$ 4,4 milhões corrigidos).

O material também mostra que o responsável pela casa era o então presidente da Federação Brasiliense de Futebol, Weber Magalhães. Atual vice da CBF pelo Cen­tro-Oeste, Magalhães ainda é o interlocutor da entidade com políticos. Além do cargo na confederação, ele é funcionário do Senado, lotado no gabinete do senador e ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella (PDT-MG).

"Todo mundo sabia para que servia essa casa", diz o deputado paranaense Dr. Rosinha (PT), que foi membro da CPI. "Não era fácil jogar contra aquela turma", diz Alvaro Dias (PSDB), que presidiu outra comissão, a CPI do Futebol do Senado. "Lembro que para conseguir aprovar o requerimento de instalação da comissão foi preciso colocar em votação numa sexta-feira [dia vazio no Congresso, sem sessões deliberativas] para evitar que o povo tirasse as assinaturas em cima da hora", complementa o tucano.

Das duas CPIs, apenas a do Senado acabou com um relatório final aprovado e com o indiciamento de 17 cartolas, mas Teixeira fora da lista. A da Câmara acabou "empastelada" por um conflito direto entre Rebelo e Miranda – o agora ministro preferiu encerrar os trabalhos a aprovar um texto com as mudanças produzidas pela bancada da bola, que tinha 18 das 25 cadeiras da comissão.

A repercussão negativa das CPIs mudou o formato do lobby. A velha mansão deixou de ser alugada pela CBF há mais de uma década. Na sexta-feira, a reportagem da Gazeta do Povo foi ao local, num dos bairros mais valorizados de Brasília.

Não havia ninguém, mas segundo relatos de vizinhos ainda há festas na casa. A última delas teria sido no jogo entre Brasil e México, na única relação com o tempo em que era a embaixada na bola no centro do poder. "Tinha carro por todo canto", disse o caseiro de uma das mansões ao lado.

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