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Abertura

Estádio da primeira partida da Copa enfrenta atropelo de última hora para ficar pronto

Faltando sete dias para abrigar a abertura do Mundial, Itaquerão vê operários desafiando o caos para finalizar arquibancada provisória a tempo

A uma semana de Brasil e Croácia, operário trabalha no acabamento do Itaquerão | Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo
A uma semana de Brasil e Croácia, operário trabalha no acabamento do Itaquerão (Foto: Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo)
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O assento XX-68 proporciona a vista mais completa do Itaquerão, mas cobra seu preço. Subir até lá em um pique só obriga a puxar a cadeira rebatível, sentar e tomar um fôlego. Dá vertigem estar na fileira mais alta do estádio de abertura da Copa do Mundo de 2014 e olhar para o gramado, ao mesmo tempo distante e vertical. O problema verdadeiro está sob a imponente estrutura de aço coberta por um espesso tablado de madeira maciça.

SLIDESHOW: Confira imagens do Itaquerão e seu entorno

A sete dias do jogo entre Brasil e Croácia, que abre o Mundial, a arquibancada provisória do setor Norte está pronta somente na parte mais visível para o restante do estádio: cadeiras colocadas, fileiras identificadas, grades e corrimões fixados, chão cuidadosamente instalado. Debaixo dos andaimes é que está o real desafio que manterá um rodízio ininterrupto de operários por pelo mais dois dias.

O canteiro de obras não para. Soldadores finalizam as estruturas de aço. Parafusos enormes são apertados para reforçar as colunas e instalar os corrimões que levam à partes mais altas da arquibancada. Marteladas e o apito do maquinário se movimentando tornam impossível qualquer diálogo. Para chamar atenção um do outro, os operários gritam o apelido do colega, duas ou três palavras de ordem e gesticulam muito.

Puxar ar com média intensidade traz para as narinas o cheiro da tinta fresca passada aplicada ao aço. Uma respiração mais profunda é certeza de inalar a fuligem da madeira cortada para os banheiros e balcões. Não olhar para o chão é um risco. Os pés escorregam de repente, não na lama, mas no cimento fresco que em breve receberá piso.

A corrida contra o tempo leva a descuidos com a segurança na Arena Corinthians. A reportagem da Gazeta do Povo entrou facilmente no estádio ontem, no fim da tarde. Com crachás bem visíveis, passou sem qualquer questionamento pelo portão de entrada, acessou as arquibancadas e seguiu para as intermináveis provisórias, cuja instalação da cobertura matou dois operários, no ano passado.

No caminho, o funcionário de uma empresa terceirizada, corintiano como muitos outros ali, mescla o orgulho por ajudar a erguer o estádio do próprio time com a preocupação de terminar tudo da melhor maneira e o mais rápido possível. Seu trabalho é montar os banheiros e parte da estrutura provisória para a transmissão dos jogos. Como sua missão está quase no fim, para e conversa com os intrusos. Na arquibancada Norte, não há tempo a perder com estranhos.

Sem capacete ou qualquer equipamento de proteção, a dupla de enviados especiais da Gazeta do Povo circulou livremente pelo canteiro. Subiu as escadas inacabadas e chegou ao meio da arquibancada. Dali, rumou até a fileira mais alta. Com uma chamativa câmera, o repórter fotográfico Albari Rosa foi visto por um engenheiro, que o "escoltou" até a porta do Itaquerão repetindo a palavra "exit" (saída, em inglês). Horas antes, em tour guiado pela Fifa no estádio, um grupo de jornalistas não teve acesso à problemática ala Norte.

Este repórter, com uma discreta mochila nas costas, não foi importunado. Na saída do estádio, ainda ouviu do segurança um "bom descanso" e um "até amanhã". Com muito trabalho e pouco tempo pela frente, qualquer ajuda é bem-vinda para que o palco do primeiro jogo da Copa de 2014 seja de tirar o fôlego não apenas do assento mais alto, mas por tudo aquilo que já deveria estar pronto abaixo dele.

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