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Futebol e política

Dilma vai se expor na Copa se a seleção contagiar os brasileiros

Campanha da petista traça estratégias para aproveitar um eventual sucesso do time nacional e para manter distância se os resultados não forem bons. Aécio e Eduardo Campos terão agenda de torcedores comuns

Dilma chuta bola na inauguração do estádio de Fortaleza: seleção é trunfo da presidente | Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
Dilma chuta bola na inauguração do estádio de Fortaleza: seleção é trunfo da presidente (Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo)

Se as obras de estádios, aeroportos e de mobilidade urbana para a Copa ainda não estão prontas, as estratégias eleitorais dos principais pré-candidatos à Presidência da República durante o Mundial já estão praticamente finalizadas. A presidente Dilma Rousseff vai manter distância da Copa se a seleção brasileira for mal e se aproximar do Mundial se o time de Felipão se sair bem. Já Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) terão agenda de torcedores comuns.

A equipe de campanha de Dilma Rousseff pretende usar a seleção brasileira como um possível trunfo para melhorar o humor da população em relação ao país. Dilma irá se expor na Copa se o time de Felipão contagiar o Brasil. Um petista próximo a Dilma avalia que, se a seleção for vitoriosa, até mesmo o mau humor da população em relação à organização do evento se dissipará. E ela, como presidente, teria mais condição de capitalizar a vitória.

Segundo um auxiliar da campanha, o esforço será para despolitizar o Mundial. O PT não quer que pareça a Copa da Dilma. Por isso a tendência é que a presidente se equilibre na imagem de uma torcedora, sem se associar demasiadamente ao evento.

O interlocutor preferencial de Dilma será o técnico Luiz Felipe Scolari. Segundo um ministro, eles mantêm ótima relação. A escolha de Felipão também se deve a uma questão de imagem. A ideia é apostar na associação do padrão de comportamento dos dois: assim como o técnico, Dilma é vista como rígida, mas que pode inspirar simpatia. Isso permitiria à presidente se manter próxima à seleção – ela deve, inclusive, visitar a Granja Comary, em Teresópolis, onde o time ficará concentrado. Mas, ao mesmo tempo, a presidente ficará longe dos cartolas da CBF e da Fifa – mal avaliados pela população.

Por ora, só está confirmada a presença de Dilma em dois jogos: no de abertura, em São Paulo, e na final, no Rio de Janeiro. A possibilidade de vaia nos estádios é uma grande preocupação. Com os altos preços dos ingressos, a avaliação é que a maioria do público será das classes mais abastadas – exatamente a parte da população que mais rejeita o PT. Para tentar evitar vaias, caso Dilma vá aos jogos, a equipe da presidente vai solicitar que ela não apareça nos telões. A justificativa seria de que, por estar a poucos meses das eleições, ela poderia ser acusada de uso da máquina pública.

Aécio e Campos

Já Aécio Neves e Eduardo Campos devem ter agenda apenas de torcedor. Fã de futebol, o tucano irá a pelo menos três estádios de cidades comandadas por aliados – Belo Horizonte, Manaus e Salvador. Mas o objetivo não é se associar ao evento, até para evitar que seja afetado por eventuais problemas de organização nessas cidades.

Já Campos deve torcer dentro de casa. Ele confidenciou a aliados que buscará se dissociar ao máximo do evento, pelo temor de ser contaminado por eventuais problemas com a Copa em Recife, capital do estado do qual é governador. No caso de Pernambuco há uma particularidade: durante a Copa das Confederações, no ano passado, Recife foi a cidade-sede mais criticada – por problemas no estádio, na mobilidade de torcedores e seleções e até na segurança.

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