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Lavoura de soja no município de Barreiras, Oeste da Bahia. O Nordeste, junto com o Norte, é a região brasileira considerada mais vulnerável à entrada de pragas vegetais durante a Copa do Mundo | Jonathan Campos / Gazeta do Povo
Lavoura de soja no município de Barreiras, Oeste da Bahia. O Nordeste, junto com o Norte, é a região brasileira considerada mais vulnerável à entrada de pragas vegetais durante a Copa do Mundo| Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo

A Copa do Mundo vai trazer mais de 7 milhões de turistas para o país, e junto com alguns deles podem estar a caminho produtos que carregam mais de 350 pragas ainda inexistentes no Brasil e que podem trazer prejuízos inestimáveis para a agropecuária nacional, alerta um estudo encomendado pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

Entre os produtos já apreendidos pela Vigiagro (órgão ligado ao Ministério da Agricultura para este tipo de fiscalização) no aeroporto de Guarulhos, estão desde grãos a pedaços de carne e animais mortos.

"Em um país de dimensão continental, a gente está ainda muito desprotegido em certos locais por onde de repente podem entrar pragas exóticas que poderiam causar grandes prejuízos para a agricultura", destaca o gerente de regulamentação da Andef, Luis Carlos Ribeiro.

Apenas como referência, o levantamento cita ainda o cenário agrícola chinês após os Jogos Olímpicos de Pequim, quando foram introduzidas 44 novas pragas no país seguidas de outras 32 espécies estranhas após os Jogos Asiáticos, ocorridos dois anos depois.

Os prejuízos causados são inestimáveis, uma vez que cada praga tem um comportamento diferente. No entanto, uma vez instalada no país, estas pragas se multiplicam rapidamente devido à ausência de predadores naturais e de pesticidas regulamentados para o seu controle.

Os Estados Unidos aparecem no estudo como o país com o maior número de pragas exóticas para o Brasil, com 225 espécies, seguidos por Itália (126), França (120) e Japão (112). Ao mesmo tempo, os EUA estão em número 1 na lista de países que mais vão enviar turistas para a Copa, com 187 mil torcedores espalhados em todo território nacional.

"Pelas origens e pelo tipo de cultivo que eles têm, que é muito semelhante ao que nosso, os Estados Unidos são o país que mais nos causa preocupação", destaca o gerente da Andef.

Não é à toa que as cidades que abrigarão jogos da seleção americana são as que estão mais expostas, sendo 323 possíveis espécies em Recife, 313 em Natal e 305 em Manaus.

Para piorar a preocupação dos agricultores e associações de defesa vegetal, as regiões Norte e Nordeste, onde estão estas cidades, são as que possuem pior controle de tráfego de produtos de origem vegetal e animal.

"O investimento brasileiro na região norte para defesa é zero. Quem faz a defesa vegetal e animal nas fronteiras destes estados são os estados em si", denuncia Ribeiro.

De acordo com ele, o levantamento não tem o intuito de gerar pânico, mas para alertar para a necessidade de fortalecer o setor de defesa vegetal e animal e também para o fortalecimento do Ministério da Agricultura.

"Nós temos um Ministério da Agricultura com excelentes profissionais, mas a cada ano que passa se aposentam mais funcionários, e esses cargos não são preenchidos", critica.

Segundo Ribeiro, no último ano foram abertas apenas 20 vagas para o Ministério da Agricultura diante da aposentadoria de cerca de 300 funcionários.

"Não queremos alarmar, mas apenas alertar para termos mais cuidado. Mais cedo ou mais tarde, as pragas vão entrar no país, mas tentamos uma forma de retardar isso", destaca.

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