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Política

Fiasco ‘antecipa’ eleições

Com a seleção fora da corrida pelo hexa, país começa a voltar sua atenção para a disputa entre os presidenciáveis. Só Dilma tentou pegar carona no Mundial

Palácio do Planalto iluminado em verde e amarelo: Aécio Neves e Eduardo Campos evitaram ter suas imagens atreladas ao Mundial | Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Palácio do Planalto iluminado em verde e amarelo: Aécio Neves e Eduardo Campos evitaram ter suas imagens atreladas ao Mundial (Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo)

O massacre alemão que fechou as portas do hexa abriu as das eleições no Brasil. Após uma onda de euforia com a competição, que elevou a popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT), o vexame da seleção tende a desencadear uma nova reviravolta no humor dos eleitores. Em clima de ressaca, os problemas do país retornam à pauta.

"Não é que o resultado dentro de campo ajude este ou aquele candidato. O que acontece é que o noticiário nacional, que até terça-feira era 85% focado na Copa, agora volta se concentrar no cotidiano real das pessoas. E as notícias, principalmente na economia, há tempos não são boas", avalia o diretor do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo.

Sondagem do Datafolha divulgada no dia 3 de julho mostrou que Dilma havia subido de 34% para 38% das intenções de voto para presidente, em relação ao começo do mês anterior. Aécio Neves (PSDB) havia crescido de 19% para 20% e Eduardo Campos (PSB), de 7% para 9%. O estudo foi influenciado pela boa percepção dos brasileiros em relação à organização do Mundial, mas em um perío­do em que a seleção, mesmo com dificuldades, se manteve vencendo.

Dilma começou a Copa na retranca. Foi à partida inaugural do torneio para "cumprir tabela" e não discursou. Acabou ofendida por parte da torcida que foi à Arena Corinthians, o que a afastou de outras partidas e colocou em dúvida a presença na final do próximo domingo.

Na véspera da semifinal contra a Alema­­nha, armou o contra-ataque. Publicou no Facebook uma foto fazendo um "T" com os braços, em alusão ao "É Tóis" de Neymar. Até o fim da partida, foram mais dez mensagens com referências positivas à Copa e a confirmação de que estaria na decisão para fazer a entrega da taça para o campeão.

Depois da partida, mais duas sobre o resultado do jogo. "Perdemos a taça, mas a #copadascopas é nossa", dizia a primeira. Ontem, publicou um compilado de notícias internacionais com elogios à organização do evento.

No primeiro escalão federal há nove anos consecutivos, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, diz que o sucesso da Copa é "inegável", mas que setores da oposição parecem ter comemorado a derrota brasileira. "Podem até tentar vincular o resultado, mas vão dizer o quê? Que a Dilma não estava em campo para tirar a bola da Alemanha?", disse.

Ao longo do torneio, com a seleção em alta ou em baixa, Aécio e Campos permaneceram "descolados" da Copa. Mineiro, o senador do PSDB chegou a comparecer à semifinal, mas foi apenas como torcedor, sem estafe ou seguranças, e nem divulgou previamente a presença no estádio. Campos não esteve em nenhuma partida.

"Não creio que a presidente deva ser condenada nas urnas pela goleada sofrida pelo Brasil, mas acredito que ela tentou sim ser sócia de uma eventual vitória. Foi iludida com o ufanismo de alguns cronistas esportivos amestrados e se deu mal", avaliou o senador paranaense Alvaro Dias (PSDB).

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