
Hoje à noite, pela segunda vez na Copa, a seleção brasileira desembarca em Fortaleza. Mas, se preferir, pode dizer que chega à sua casa de praia no Nordeste.
O hotel onde a delegação permanece até o jogo com a Colômbia, na sexta-feira, às 17 horas, está repleto de boas lembranças e de velhos conhecidos para Felipão e seus comandados. Da refeição preparada com esmero à cama feita com carinho, passando por aquele abraço acolhedor, o Brasil tem um ambiente tranquilo para, em campo, se colocar a um passo da final no Maracanã. "Aqui a casa é deles", sintetiza Cláudia Brandão, responsável pela governança do cinco estrelas Marina Park Hotel.
Em 2002, no último amistoso nacional antes da campanha do penta, a Família Scolari se hospedou por lá. O mesmo aconteceu no ano passado, antes do jogo contra o México, pela Copa das Confederações. A última visita foi há 16 dias, na primeira fase do Mundial, para outro duelo com os mexicanos. Retrospecto invicto que não pode falhar agora.
Os 23 jogadores e a comissão técnica ficam em um setor exclusivo, sem contato com os demais hóspedes e curiosos. Eles têm um salão fechado para refeições e ocupam 80 dos 315 quartos do hotel. As seis camareiras que fazem a limpeza estão proibidas pela Fifa até de tirarem fotos com os atletas elas ficam dedicadas ao time quase 24 horas por dia.
"Quando acordam para o café da manhã já estamos aqui. Quando vão dormir ainda estamos trabalhando", conta Cláudia, uma das velhas conhecidas de Luiz Felipe Scolari.
O técnico frequenta o local desde a época em que treinava o Grêmio, na década de 1990. E não dispensa a bela vista para o mar esverdeado da Praia de Iracema. "Ele chama muita gente que trabalha aqui pelo nome. São todos muito simples, uma verdadeira família", enaltece a governanta executiva.
O maître Geraldo Sena, o Seninha, é menos comedido. Considerado o xodó da seleção, ele faz a alegria do grupo e comanda as brincadeiras. "O pessoal chega fazendo bagunça mesmo. Da última vez o Hulk me pegou no colo, mas o Felipão é sempre o primeiro a me cumprimentar", diz Seninha, que fez uma eleição própria para o mais bonito da seleção. Segundo ele, Maxwell desbancou o capitão Thiago Silva no quesito. "Mas a carne nova do pedaço é o Fernandinho", brinca.
Sobre os bastidores do elenco, no entanto, ele se recusa a falar alegando sigilo profissional. Muito menos destacar o mais querido entre os 23. "Não posso dizer, os outros vão ficar com ciúme", gargalha o maître, funcionário do Marina Park desde a inauguração, em 1993.
Neymar também é um velho conhecido de Seninha, que ganhou uma camisa na época em que o atacante defendia o Santos. Se cumprir a promessa, Scolari entrega hoje ao cearense uma camisa autografada por toda a delegação. Ele reconhece sua modesta contribuição como válvula de escape, mas ao mesmo tempo confessa. "Não entendo nada de futebol".
Não é o caso do chef José Antônio Farias, o Baixinho. Enquanto prepara almoço e jantar para os jogadores, ele não desgruda o olhar dos possíveis adversários na televisão.
Nesta Copa, ele já cozinhou para alemães, gregos, holandeses, italianos e uruguaios. Nenhum deles tão especial quanto a seleção. "Fico preocupado em fazer tudo bem feito para não ter confusão e os jogadores renderem bem", conta Baixinho, orgulhoso por servir seus ídolos. "É preciso ser profissional, mas daqui a uns anos vai ser muito emocionante poder dizer que trabalhei para a seleção", resume Cláudia. Talvez a do hexa.




