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copa 2014

G4 é a 'bolinha da morte' no sorteio dos grupos

Dimensões continentais do Brasil obrigarão a seleção sorteada nessa posição a viajar 5.598 km só na primeira fase. Calor e horários são outros transtornos do Mundial. Fifa prega tempo técnico para amenizar problema

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G4. A bolinha que irá fechar o sétimo e penúltimo grupo da Copa do Mundo 2014 é a mais temida do sorteio de hoje, às 14 horas (de Brasília), na Costa do Sauípe, litoral da Bahia, que irá definir o chaveamento do Mundial.

A seleção que for escolhida para ocupar o posto estará condenada a peregrinar pelo Brasil. Será a que mais viajará na primeira fase do torneio da Fifa, um deslocamento aéreo de 5.598 km entre as cidades de Natal, Manaus e Recife.

Se não bastasse, ao sofrimento será acrescentada uma partida às 13 horas, justamente contra o cabeça de chave, pela última rodada (26/6), na capital pernambucana. Recife costuma ter uma temperatura média de 28°C nesta época do ano, com a umidade do ar batendo na casa dos 90%.

Natal (2 vezes), Salvador (2) e Brasília (3) são as outras cidades com jogos vespertinos na primeira fase da competição.

"As distâncias não são poucas, por isso o ideal é escolher uma boa sede, o lugar certo em que os jogadores se sintam bem por 45 dias", afirmou o ex-zagueiro da seleção espanhola, Fernando Hierro.

A Fúria, atual campeã mundial, negocia para ficar hospedada em Curitiba, no CT do Caju. "Os jogadores treinam para se adaptarem a essas condições [climáticas]", emendou o também ex-zagueiro Fabio Canavarro, campeão e eleito o melhor jogador da Copa de 2006 pela Itália.

Logística totalmente diferente a que precisará ser adotada pelo país que abrir o grupo H. Argentina, Colômbia, Uruguai, Suíça, Alemanha, Espanha ou Bélgica, os demais cabeças de chave, terão de rodar apenas 696 quilômetros entre Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo se a sorte lhe conferir a bolinha com a sigla H1.

Apenas o Brasil, por estar previamente alocado na posição A1 devido à condição de dono da casa, escapou do martírio chamado G4. Mesmo assim, o time de Luiz Felipe Scolari rodará 4.055 km na etapa inicial do Mundial, com exibições, pela ordem, em São Paulo, Fortaleza e Brasília.

A distância é cerca de 1.500 km mais curta do que a segunda seleção do grupo (A2) viajará: 5.522 km em deslocamentos de São Paulo para Manaus e de Manaus para Recife.

Calor e horário dos jogos são dois dos temas que mais preocupam a Fifa, perdendo em importância neste momento apenas para os atrasos na Arena Corinthians (São Paulo), que deve ficar pronta apenas em abril, Arena da Baixada (Curitiba) e Arena Pantanal (Cuiabá), ambas com entrega prevista para fevereiro – o prazo final era este mês.

Escalados para conversar com a imprensa ontem, tanto o presidente da entidade, Joseph Blatter, quanto o seu braço direito, o secretário-executivo Jérôme Valcke, demonstraram desconforto com as perguntas.

"O Brasil é imenso, é um país continental", abriu Blatter, sem dizer muita coisa, jogando a bola para Valcke. "Não é a primeira vez que isso acontece [jogos em horários com temperaturas muito altas]. Se eu não me engano, a final olímpica em Pequim foi ao meio-dia", citou ele.

"Nós quando estamos levando em consideração a hora do jogo, pensamos no jogador. Não sei que time pediu à Fifa se o jogo pode ser interrompido para beber água, mas isso já faz parte do regulamento, se o médico [das seleções] e o árbitro sentirem a necessidade. É uma questão de bom senso", ressaltou o secretário.

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