
Ao defender os jogadores que chamou para 2014, Luiz Felipe Scolari lançou um olhar para 2018. Tentativa de poupar do massacre público um grupo que terá a missão de limpar a imagem do futebol brasileiro manchada pelos sete gols sofridos para a Alemanha, terça-feira, no Mineirão. "Não podemos terminar a vida dos jogadores. Pelo menos 70%, no mínimo, estará em 2018 com uma bagagem diferente", afirmou Felipão. O remédio certo, mas na dose errada.
SLIDESHOW: Confira os nomes que podem significar renovação para o Brasil
A não ser que pretenda levar à Rússia uma seleção envelhecida, o Brasil terá de renovar muito mais do que os sete nomes que seriam trocados pela matemática do treinador. Do time humilhado pelos alemães, apenas cinco jogadores terão menos de 30 anos em 2018: Bernard (21), Neymar (26), Oscar (26), Paulinho (29) e Willian (29). Luiz Gustavo, Marcelo, David Luiz, Ramires e Thiago Silva terão entre 30 e 33 anos. Uma retenção que chegará, no máximo, a metade do grupo formado por Felipão.
Para completar a lista, o futuro treinador encontrará problemas similares aos de Scolari: zagueiros e meio-campistas de sobra, carência de atacantes e incertezas no gol. Marquinhos (PSG), Dória (Botafogo) e Manoel (Cruzeiro) largam na frente para fazer sombra a David Luiz e Thiago Silva. À frente da defesa, Lucas Leiva, Casemiro e Phillipe Coutinho devem ganhar espaço, assim como Paulo Henrique Ganso.
Debaixo das traves, nenhum dos quatro goleiros mais testados por Felipão deve durar mais um ciclo. Júlio César até anunciou aposentadoria da seleção. Difícil é vislumbrar opções imediatas. Marcelo Grohe (Grêmio), Neto (Fiorentina), Gabriel (Milan) e Rafael (Napoli) são muito mais apostas do que certezas. No ataque, nem isso. Os centroavantes mais jovens são os queimados Pato e Damião, ambos com 24 anos.
Olhar para a base também não ajuda. Os últimos integrantes das seleções sub do Brasil têm seus próprios traumas a superar. Gabriel, Sandro, Lucas, Danilo e Ganso estiveram com Neymar e Oscar na prata olímpica de Londres-2012. Adryan (Flamengo) e Rafinha (Barcelona) são expoentes de uma seleção sub-20 que nem passou da primeira fase do Sul-Americano e ainda recebeu a pecha de indisciplinada da CBF.
Estes garotos terão a chance de redimir parcialmente o futebol brasileiro dentro de dois anos, com a Olimpíada do Rio. Quando entrarem na disputa do inédito ouro olímpico, já terão jogado a Copa América de 2015 e iniciado as Eliminatórias. Tudo isso com um novo treinador. Felipão se despede no sábado. Tite é o mais cotado para reconstruir a seleção a partir dos escombros de 2014.








