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Estádio

Governo assume o risco do potencial construtivo

Poder público estadual aceita os títulos municipais como garantia do Atlético. Especialista considera a estratégia financeira arriscada

As obras de reformulação da Arena da Baixada começaram oficialmente na semana passada: o potencial construtivo é o grande financiador do novo estádio | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
As obras de reformulação da Arena da Baixada começaram oficialmente na semana passada: o potencial construtivo é o grande financiador do novo estádio (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)

O potencial construtivo, o principal trunfo do Atlético para o financiamento da conclusão da Arena para a Copa de 2014, tem tudo para se tornar um problema para o governo do estado – hipótese não descartada pelo próprio poder público paranaense.

Pela engenharia montada para a finalização da obra, a gestão Beto Richa precisou sondar o Banco Nacional de Desen­­vol­­vimento Econômico e Social (BNDES) sobre um empréstimo de R$ 123 milhões. A administração pública – conforme a Gazeta do Povo apurou – repassa o dinheiro ao clube aceitando os papéis do município como garantia de pagamento.

A intermediação passa pela Agência de Fomento do Paraná – órgão que gere o Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) – e caso os pagamentos do Rubro-Negro não sejam honrados, o Palácio Iguaçu ficará responsável por comercializar os papéis no mercado.

"Imaginar [o não cumprimento], sempre imaginamos, como várias possibilidades e variantes de qualquer tipo de garantia oferecida. Acabamos entrando no campo da imprevisibilidade. São muito amplas as possibilidades do que pode ocorrer", comentou o diretor ju­­­­­rídico da Agência de Fo­­mento, Samuel Suss.

Questionado sobre a questão durante o início das obras, na terça-feira, o governador desconversou. "Estamos terminando a formatação..."

A lei estadual n.º 16.733/10 autoriza o FDE a apoiar financeiramente a reforma da Baixada aceitando esse "capital virtual" como garantia integral para o repasse.

Especialistas na área de mercado imobiliário também alertam para a possibilidade de o ônus ser repassado para os contribuintes. "É um risco de mercado porque [o governo do estado] está recebendo em garantia um valor nominal e não um valor real", explicou o sócio da Brain-Bureau Inteligência Corporativa, empresa de consultoria do ramo imobiliário, Fábio Tadeu Araújo.

"O perigo é de ter um deságio no valor desse potencial construtivo, recebendo assim menos do que o depositado pelo Atlé­­tico", segue ele.

Justamente por não ser di­­nheiro vivo, os títulos do po­­ten­­cial construtivo não são aceitos pelo BNDES. Tanto é assim que a alternativa encontrada foi a triangulação via governo estadual. Posição semelhante sinalizou o advogado Carlyle Popp, doutor em Direito Civil e mestre em Direito Público. "Usar esse valor para investir no estádio, se não for bem equacionado, o governo pode mesmo sofrer com perdas e danos."

Quando negocia com instituições públicas, no caso o go­­verno estadual, o banco recebe como contrapartida as cotas do Fundo de Participação dos Es­­tados (FPE) – verba da União distribuída entre as federações, um aporte sem fim específico de investimentos.

Por enquanto a Agência de Fomento não recebeu do Atlé­­tico o projeto final para oficializar o pedido de empréstimo. É o que falta para o governo estadual ir até o BNDES, que já deu carta branca para o financiamento de R$ 123 milhões.

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