
Ao mesmo tempo em que o Congresso discute a flexibilização das regras de licitação para a Copa e a Olimpíada, os gastos com os estádios do Mundial aumentam e surgem indícios de superfaturamento. Um relatório técnico do Tribunal de Contas de Minas Gerais apontou irregularidades, inclusive sobrepreço de R$ 982,3 mil, nas obras de reforma do Mineirão, em Belo Horizonte. Foram avaliados R$ 29,3 milhões de despesas já executadas no estádio.
Já o governo do Rio de Janeiro comunicou anteontem que conseguiu reduzir em 2,6% o valor das obras de reforma do Maracanã para a Copa de 2014. Agora, o estádo custará R$ 931,8 milhões, contra os R$ 956,7 milhões previstos anteriormente. Apesar disso, inicialmente, previa-se que a obra custaria R$ 600 milhões.
Fifa comemora
Duas semanas depois de o presidente da Fifa, Joseph Blatter, defender maior transparência no futebol como prioridade de seu novo mandato à frente da entidade, a aprovação do texto básico do Regime Diferenciado de Contratações (RDC) na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, foi festejada por cartolas da federação, em Zurique, na Suíça, onde fica a sede da Fifa.
A entidade máxima do futebol vinha pressionando o governo brasileiro e a CBF por maior rapidez nas obras da Copa de 2014. Dirigentes da Fifa admitiram à reportagem que a exigência era por uma fórmula que acelerasse a construção de estádios e infraestrutura. O texto básico aprovado em Brasília era exatamente o que o órgão pretendia.
Porém, diante da notícia que praticamente não existirá controle sobre os gastos, a Fifa evitou críticas. Num comunicado, a Fifa evitou criticar o RDC e suas implicações. "Entenda que a Fifa não está em posição para comentar a decisão tomada pelas autoridades brasileiras. A Fifa respeita a soberania de cada país", diz um trecho do comunidade.
A federação recorreu à mesma justificativa dada frequentemente pelo COI ao ser indagada sobre até onde não influiria na soberania das sedes de seus eventos uma das exigências da Fifa para a Copa do Mundo ser realizada no Brasil é a isenção de uma série de tributos, aprovada por uma comissão da Câmara na última quarta-feira, junto com o RDC.
"As exigências com relação às garantias financeiras foram feitas ainda durante a etapa de candidatura, e aceitas pelo país candidato [Brasil] na ocasião", disse a Fifa. "Quando o processo de candidatura começou, a Fifa pediu garantias governamentais que são similares aos demais eventos esportivos no mundo. Essas garantias são documentos legais que governam e ratificam as garantias logísticas, operacional e de infraestrutura dado por um governo de um país que sedia o evento. Eles são procedimentos padrões e essenciais na organização de qualquer competição do tamanho da Copa", finalizou.



